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Geopolítica

The Economist diz que Brasil e EUA parecem ter trocado de papéis; entenda

Em artigo, o jornal britânico afirma que a condução do processo no STF contra Jair Bolsonaro contrasta com a postura de Trump, que impôs sanções e fez críticas ao Brasil

The Economist diz que Brasil e EUA parecem ter trocado de papéis; entenda

O jornal britânico The Economist comparou a política dos EUA ao Brasil e afirmou que os países parecem ter “trocado de papéis”. A declaração aconteceu em uma publicação no final de agosto que analisava o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se iniciou nesta terça-feira (2).

De acordo com o periódico, isso acontece após o presidente americano Donald Trump adotar medidas contra o Brasil, como tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, e incluir o ministro Alexandre de Moraes, que lidera o julgamento contra Bolsonaro, na lista de sanções da Lei Magnitsky, geralmente aplicada a violações de direitos humanos. 

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Trump chegou a acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente. Segundo o The Economist, essas ações de Trump aproximam os EUA da instabilidade antes associada ao Brasil.

“A comparação mais marcante do Brasil é com os Estados Unidos. Os dois países parecem estar trocando de lugar. Os EUA estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários — com Donald Trump esta semana mexendo com o Federal Reserve e ameaçando cidades controladas pelos democratas. Em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro, o próprio país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia”, diz a publicação.

O Federal Reserve (Fed) é o banco dos Estados Unidos, responsável por definir os juros, fiscalizar bancos e zelar pela segurança e equilíbrio do sistema financeiro, como o Banco Central do Brasil.

Democracia brasileira

O ex-presidente Bolsonaro será julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos atos acontecidos em 8 de janeiro de 2023, após perder as eleições, em ações que conspiravam contra a democracia. A denúncia aponta envolvimento de militares e planos para anular o resultado das urnas.

O jornal afirma ainda que a experiência do Brasil com a ditadura militar contribuiu para uma reação institucional mais firme da Suprema Corte, ainda que sofra críticas pelo excesso de poder e de processos em sua pauta de discussão.

A revista destaca que, apesar das dificuldades econômicas e da polarização, setores políticos e empresariais no Brasil buscam consenso em torno de reformas institucionais e fiscais por meio de reformas e regras. Já nos EUA, Trump mantém influência sobre parte do eleitorado e pressiona instituições democráticas.

“Essas são as marcas da maturidade política. Pelo menos temporariamente, o papel do adulto democrático do hemisfério ocidental se deslocou para o sul”, finalizam.

Entenda o julgamento de Bolsonaro e outros sete 

Nesta terça-feira (2), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal iniciará o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus do chamado “núcleo crucial”. A ação investiga suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, envolvendo militares e ex-ministros, com planos de anular o resultado das eleições. 

Entre os crimes, estão em pauta: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A Corte irá julgar, além de Bolsonaro, Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência e os generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, ex-ministros de Defesa e Casa Civil.

Caso sejam condenados, com a pena máxima e somadas, as punições podem chegar a 43 anos de prisão. 
As sessões estão previstas para ocorrer entre 2 e 12 de setembro, totalizando até 27 horas de análise, com transmissão pelo YouTube da TV Justiça e do STF.