Presidente da República Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

Para que se concretize, a filiação de Bolsonaro ao PL ainda tem alguns desafios a enfrentar. No Piauí, por exemplo, o partido faz parte da base de sustentação do governador Wellington Dias, do Partido dos Trabalhadores (PT), e não mostra sinais de que vai aceitar mudar de posição.

Segundo a bancada piauiense na Câmara, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, garantiu que será permitido aos membros do partido subir ao palanque ao lado do governador petista. “Do ponto de vista estratégico, seria um desastre se não tivéssemos autonomia. O presidente do partido nos garantiu essa autonomia”, declarou à Arko Advice o deputado federal Fábio Abreu (PL-PI). O presidente do partido no Piaui, Fabio Xavier, também tem dado declarações de que o apoio a Dias está garantido.

Bolsonaro, contudo, não tem dado sinais de que vai aceitar uma aliança com quem ele enxerga como inimigo. “Nosso partido não pode estar flertando com a esquerda num ou outro estado, se resolvermos isso aí eu assino essa filiação”, disse o presidente durante entrevista na Expo Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Membros do partido apontam que a exigência pode gerar embaraços também entre filiados de São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Alagoas, Ceará, Pará e Roraima, em que alianças com nomes que podem ser do desagrado de Bolsonaro já estão em andamento.

O posicionamento do diretório estadual coloca em cheque a decisão de dar “carta branca” ao presidente Valdemar Costa Neto para negociar diretamente com Bolsonaro. Na prática, esse posicionamento oficial tem sido levado como uma carta branca para que Bolsonaro controle as alianças regionais. “Onde Bolsonaro tiver necessidade do apoio do PL, seja de forma direta ou indireta, ele terá”, declarou o senador Wellington Fagundes (PL-MT) após a reunião na última quarta-feira (17).

Os membros do PL aliados a desafetos do presidente da República tentam se proteger, inclusive, no estatuto do partido, que dá poderes a Costa Neto para decidir sobre alianças regionais. Com isso, pressionam o presidente do partido a cumprir sua palavra de que os diretórios estaduais teriam liberdade para se articular.

Uma receita com esses ingredientes tem três resultados possíveis: o primeiro, mais improvável, é Bolsonaro se filiar mas aquiescer e aceitar que não consegue controlar o partido em todos os estados. O segundo cenário é a filiação de Bolsonaro ir adiante levando à debandada de nomes importantes do partido. O terceiro seria Bolsonaro desistir do PL.


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