Senador Eduardo Girão (Podemos-CE). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em evento na última semana, o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, entrou na disputa pela presidência da República, competindo, inclusive, com o antigo chefe. De acordo com Eduardo Girão (Podemos-CE), senador do partido pelo qual Moro deve concorrer, a entrada do juiz da Lava-Jano na disputa deve chamar a atenção novamente para o combate à corrupção.

“Uma candidatura como a de Moro, independente do resultado, vai fortalecer uma Operação Lava-Jato para voltar com toda força, de uma forma firme e dentro da legalidade”, argumenta.

Leia a entrevista completa:


Com a filiação de Sérgio Moro e a possível filiação de Deltan Dallagnol, o Podemos está se tornando o partido da Lava-jato?

Eu acredito ser muito mais do que isso: a Lava-Jato é uma bandeira, que varreu esse país mostrando que a justiça pode ser para todos. É um símbolo positivo para o Brasil no exterior no enfrentamento da corrupção, que é um câncer em metástase no país. Poderosos foram para cadeia, sejam empresários, sejam políticos. O Brasil ficou com essa memória muito forte. Infelizmente os três poderes da República nos últimos dois anos conspiraram para que de alguma forma a operação Lava-Jato fosse desmantelada. Eu acredito que esse momento é um resgate dos valores de enfrentamento à corrupção e do fim da impunidade. O Sérgio Moro personifica isso. Eu acredito que o Moro pode terminar o que começou.

Sérgio Moro tem criticado tanto Lula como Bolsonaro. Ele tenta se posicionar como centro?

Eu acredito que a candidatura de Moro transcende a questão de direita, de esquerda e de centro. É uma candidatura que olha para frente, que não vai ficar parada olhando no retrovisor apontando o dedo para erros de governos anteriores. Não temos que entrar nisso. Temos que ter proposta, o tempo todo.

O grande desafio é manter a essência, mas se abrir ao diálogo com uma sociedade que está extremamente dividida. Você vê família se desfazendo em grupos de WhatsApp por política. O nosso país é grandioso, não precisa estar passando por essa situação de ódio e de briga. Eu penso que a esquerda se apropriou do termo igualdade à direita da liberdade. Mas acabaram esquecendo ambos da fraternidade.

Com as derrotas recentes da Lava-jato, e Lula sendo candidato, o discurso de Moro não sai enfraquecido?

Justamente o inverso! Uma candidatura como a de Moro, independente do resultado, vai fortalecer uma Operação Lava-Jato para voltar com toda força, de uma forma firme e dentro da legalidade. Hoje nós temos um poder sobre o outro que é o Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor dúvida de que essa correlação de força está desequilibrada. Eu acredito que precisa de alguém com capacidade de ouvir e dialogar para construir pontes e mostrar realmente que deve existir uma harmonia e um respeito entre os Poderes.