Ministro da Economia, Paulo Guedes, Ministro das Comunicações, Fábio Faria, Presidente da Câmara, dep. Arthur Lira (PP - AL) e Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Ministro da Economia, Paulo Guedes, Ministro das Comunicações, Fábio Faria, Presidente da Câmara, dep. Arthur Lira (PP - AL) e Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Ainda que a CPI esteja fechando o cerco contra o governo Jair Bolsonaro e que novas denúncias sobre um suposto esquema de rachadinhas tenham surgido, o prosseguimento de um dos mais de 100 pedidos de impeachment ainda é pouco provável. Claro, sempre é possível que surja um fato novo que mude a direção da política no país, mas, até o momento, os elementos que tradicionalmente levam à um afastamento do presidente ainda não se somam de forma a dar espaço para uma medida do tipo.

Isso porque, apesar da trajetória descendente da popularidade de Bolsonaro, o governo ainda detém a mais eficiente defesa contra o impeachment: apoio político.

Impopularidade sozinha não derruba presidente. Quando era presidente, Michel Temer amargava taxas recordes de rejeição popular, mas permaneceu na Presidência devido ao forte amparo no Congresso.

“O impeachment no Brasil funciona como um voto de desconfiança, de forma quase parlamentarista, em que se derruba o primeiro ministro quando ele perde a maioria no Parlamento”, explica o cientista político e presidente da Arko Advice, Murillo de Aragão.

Análise de cenários

Aragão explica que um impeachment depende de três principais fatores: existir um motivo; baixa popularidade, e mais importante: falta de apoio político e de uma coalizão no Congresso. Contudo, esse último fator implica em um quarto elemento, oculto mas igualmente importante: qual seria o cenário político após o impeachment?

Caso seja consumado, o impeachment de Bolsonaro levaria à ascensão do general Hamilton Mourão. Para as lideranças partidárias, trata-se de um cenário nebuloso no que diz respeito à construção de uma maioria no Congresso. Tanto no impeachment de Fernando Collor de Mello como no de Dilma Rousseff, o mundo político já vislumbrava um futuro com os vices, Itamar Franco e Michel Temer, no poder.

“Todo processo de impeachment acontece mirando em quem vai conduzir o processo como presidente. Hoje essa circunstância não está clara. E outro fato que é também muito relevante é o cronograma. Estamos há um ano e quatro meses da eleição. Se tivesse começado agora, com a demora de se votar, poderia avançar sobre o processo eleitoral. Isso para um processo de impeachment é muito complicado, avalia Aragão.

Oposição dividida

Mesmo a oposição está dividida sobre o tema. Uma parte da esquerda mais lulista vê que a melhora da economia no pós pandemia poderia dar força a Mourão, que teria a chance de se apresentar como candidato ou dar apoio a outro nome, drenando o apoio a Lula em 2022. É muito mais conveniente para a oposição que a imagem de Bolsonaro seja desgastada até o momento da eleição.

Também pesa o fato do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) já ter declarado publicamente diversas vezes que não tem a intenção de desengavetar um pedido de impeachment.


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