Murillo de Aragão. A pandemia paralisa o tempo da vida das pessoas. Mas acelerou o tempo da política. A eleição presidencial de 2022 já está em curso.
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

A pandemia paralisa o tempo da vida das pessoas. Mas acelerou o tempo da política. A eleição presidencial de 2022 já está em curso com pré-campanha declarada por diversos candidatos.

A polarização predomina, mas não está assegurada. Como já disse aqui mesmo, o futuro presidente será escolhido pelos eleitores não polarizados, ou seja, aqueles que não são nem Bolsonaro nem Lula.

Ao fim do primeiro semestre devemos olhar o futuro próximo e seus desafios no campo político. O mais óbvio é o resultado da CPI da Pandemia, que parece delineado. O que é altamente incerto é se terá consequência prática, além de engordar o acervo de ataques ao governo.

Pelo que se percebe da ultramidiatizada CPI, nenhuma surpresa é esperada. As culpas já foram distribuídas a uns e outros. Será ela prorrogada? Pode ser, mas talvez sem o impacto imaginado.

O jogo do segundo semestre vai correr em torno da economia e da vacinação. Ambas podem gerar uma catarse coletiva que reduzirá o impacto do debate sobre “de quem é a culpa”. Na prática, olhando os números das pesquisas, o interesse maior é virar a página da pandemia assim que a vacinação tiver sido ampliada.

Enquanto o noticiário é pesado na política, os sinais na economia são promissores — a ponto de considerarem possível o país crescer 5%! Fato é que, com tropeços e acertos, o Brasil se saiu melhor do que o Reino Unido na gestão econômica da crise.

E a tendência parece ser melhorar. Curiosamente, o ministro Paulo Guedes anda mais calado e entregando melhores resultados. O mercado dizia, há pouco, que ele prometia muito e entregava pouco. Agora ele começa a virar o jogo.

O noticiário pesado — e muitas vezes indignado — sobre o governo não desestimulou o investidor, que fez a Bolsa de Valores bater 130 000 pontos. Até mesmo porque o investidor maduro sabe onde pisa e, paradoxalmente, confia no Brasil.

Como manter o ritmo da retomada da economia? A questão crucial reside na vacinação, cuja dinâmica andou errática em maio e aos poucos adquire uma velocidade mais adequada. Com mais vacinados, as turbinas da economia poderão funcionar com mais intensidade.

A vacinação e a retomada estão umbilicalmente ligadas. E, como pano de fundo, o boom das commodities e o apetite de investidores nacionais e estrangeiros pelas concessões. A perspectiva econômica para os adversários do governo não está favorável. Sobretudo com a real possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial e/ou da criação de um Bolsa Família turbinado.

O cenário pode ficar ainda melhor para a conjuntura se o Congresso Nacional prosseguir votando temas relevantes. Caso das regras da cabotagem, do licenciamento ambiental, das debêntures de infraestrutura, de um novo Refis e da reforma administrativa, entre outras matérias.

Este artigo foi, originalmente, publicado na Revista Veja

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.