Foto: RenovaBR/Divulgação

As eleições municipais de 2020 foram marcadas por duas tendências geradas pela pandemia do novo coronavírus: a eleição de partidos de centro e a preferência por políticos experientes – o que levou à reeleição de prefeitos de 6 das 7 capitais onde houve vitória em primeiro turno. Contudo, ainda assim houve espaço para a renovação política, principalmente no interior e nas câmaras de vereadores. É o que avalia Eduardo Mufarej, fundador do Renova BR, entidade que atua na formação de jovens lideranças políticas.

“As urnas mostraram um eleitor menos ideológico e mais pragmático. Um eleitor que não está interessado em polarização, ideologia e discursos populistas, mas buscando quem pode solucionar seus problemas do cotidiano”, avalia Mufarej. “Os candidatos de renovação que obtiveram mais sucesso foram aqueles capazes de apresentar projetos concretos e visões de futuro claras para os municípios”, pontua.

Como foi criado em 2017, o movimento pôde eleger representantes em nível municipal pela primeira vez nesta eleição. Foram 147 eleitos, em 123 cidades – número que inclui 10 prefeitos e um vice-prefeito. “Além deles, centenas de alunos alcançaram votações expressivas, foram capazes de construir seus projetos junto à população e certamente seguirão no caminho da política”, conta o fundador do Renova BR. Em 2018, foram 16 eleitos para o Legislativo estadual e para o Congresso Nacional.

Ele avalia que a renovação deve continuar relevante nas próximas eleições.

Confira a entrevista completa:


Como você vê o desempenho dos candidatos indicados com a renovação política no primeiro turno das eleições municipais?

As urnas mostraram um eleitor menos ideológico e mais pragmático. Um eleitor que não está interessado em polarização, ideologia e discursos populistas, mas buscando quem pode solucionar seus problemas do cotidiano. Os candidatos de renovação que obtiveram mais sucesso foram aqueles capazes de apresentar projetos concretos e visões de futuro claras para os municípios. Nesse sentido a eleição de tantos alunos do Renova parece estar nessa união incomum na política entre renovação, novidade, preparo e qualificação.

Os alunos do Renova BR foram particularmente bem no pleito?

Os números falam por si. Tivemos 147 alunos eleitos em 123 cidades de 20 estados de todas as regiões do Brasil. Além deles, centenas de alunos alcançaram votações expressivas, foram capazes de construir seus projetos junto à população e certamente seguirão no caminho da política. É claro que estamos celebrando, mas o foco agora é garantir que eles atuem em alto nível desde o primeiro dia de mandato. Por isso faremos já na semana que vem um ciclo de aulas para os prefeitos e vereadores eleitos com foco em efetividade, planejamento e resolução dos problemas mais comuns das cidades brasileiras.

As iniciativas de renovação política continuarão relevantes em 2022?

Renovação política é só outro nome para mudança. E a mudança é sempre relevante nas eleições. O desejo por mudança, por renovação, é permanente no eleitor. Ele pode ter várias formas, englobar narrativas e projetos diversos, mas é natural que as pessoas queiram se sentir cada vez mais representadas, cobrem que a classe política se atualize e exijam que problemas antigos ganhem soluções novas. Então, eu não tenho dúvida de que a renovação vai continuar relevante, sobretudo porque em 2022 ainda estaremos nos reerguendo da crise que vivemos e o desejo por mudança estará latente no Brasil e no mundo.