Sequência de delações deve manter clima político tenso


PT, PSDB e PMDB ainda terão momentos turbulentos pela frente. Há uma série de delações a caminho – todas em fase de negociação – com potencial para atingir as principais lideranças dessas três legendas.

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tenta um acordo com a Procuradoria-Geral da República. Além do presidente Michel Temer, ele ameaça envolver os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral) e o senador Romero Jucá.

Recentemente, Temer respondeu como testemunha de Cunha a 22 perguntas no processo que apura desvios no Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).

Outro que negocia um acordo de delação é o doleiro Lúcio Funaro, ligado ao PMDB. Ele admitiu à Polícia Federal que operava o caixa 2 do partido.

O ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antonio Palocci, também negocia acordo. Sua delação, além de bancos, de acordo com informações divulgadas na mídia, poderia incluir a Rede Globo, maior emissora de televisão do país.

A Polícia Federal confirmou que negocia com o publicitário Marcos Valério acordo de delação envolvendo em especial o PSDB de Minas Gerais. Ainda que não atinja diretamente o senador Aécio Neves, as revelações podem significar novo desgaste político para o senador.

Mas o publicitário também pode citar o PT. Valério foi o pivô da maior crise política da gestão Lula (2006), que acabou levando para a prisão o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o tesoureiro do partido, Delúbio Soares.

Em setembro, conforme revelou a Folha de S.Paulo, a JBS vai entregar à Procuradoria-Geral da República cerca de 20 novos anexos que complementarão o acordo de colaboração premiada assinado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista e diretores do grupo.

Os anexos são detalhamentos das histórias de corrupção contadas pelos executivos da empresa, que foram divididas em 14 temas. Em cada tema há vários investigados. Os cerca de 20 novos anexos serão juntados a outros 44 entregues aos procuradores no início do acordo.

O segundo semestre, portanto, deve continuar conturbado do ponto de vista político, com impacto em 2018. Sendo PT, PSDB e PMDB os principais alvos, outras legendas podem acabar se beneficiando, como DEM, PSB e Rede.

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