Datafolha 2018: Lula lidera, mas há viabilidade para terceira via


O instituto Datafolha divulgou, no sábado passado (16), pesquisa de intenção de voto sobre a sucessão presidencial de 2018. As principais informações da sondagem foram:

1) Mesmo desgastado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários. Mesmo tendo perdido capital político, Lula teria hoje grandes chances de chegar no segundo turno pelo eleitorado fiel que possui, sobretudo no Nordeste e junto ao eleitor de baixa renda. Porém, dada a elevada rejeição, sua chance de vitória num eventual segundo turno é remota.

2) No PSDB, o senador Aécio Neves, o ministro José Serra (Relações Exteriores) e o governador Geraldo Alckmin (SP) tem índices muito similares de intenção de voto e rejeição, fato que coloca as três opções dentro do jogo de 2018. Porém, Serra é o único tucano que venceria Lula num eventual segundo turno. Contra a senadora Marina Silva (REDE), os três representantes do PSDB seriam derrotados.

3) Apesar de possuir índices de intenção de voto que varia de 5% a 6%, o presidente interino, Michel Temer (PMDB), é uma peça a ser considerada na sucessão presidencial de 2018. Como, desde que assumiu o Palácio do Planalto, a rejeição ao governo vem caindo, e já possui uma aprovação de 14%, Temer tem espaço para sonhar com uma vaga no segundo turno, pois, após a confirmação do afastamento definitivo de Dilma, terá tempo e a máquina na mão para construir uma agenda positiva. Mesmo que opte por não concorrer, seu governo pode ser um apoio importante para quem, eventualmente, for representá-lo na disputa.

4) O alto índice do chamado “não voto” (branco, nulo e indeciso), a existência de pré-candidatos na faixa entre 4% a 6% das intenções de voto (o deputado federal Jair Bolsonaro, o ex-ministro Ciro Gomes-PDT e o juiz Sérgio Moro-Sem partido) somado ao fato de Marina Silva vencer hoje o segundo turno em qualquer simulação, mostra que a polarização PT x PSDB está se esgotando, o que abre espaço para uma candidatura de terceira via no tabuleiro sucessório de 2018.

5) Um exemplo do desgaste da polarização entre petistas e tucanos é a dificuldade que Lula encontra para vencer um eventual segundo turno, e o risco do PSDB até mesmo sem derrotado já no primeiro turno.

Cada um dos cenários da pesquisa:

Na primeira simulação, Lula (PT) aparece na liderança. O ex-presidente cresceu cinco pontos percentuais em relação ao índice de intenção de voto que tinha em março. A ex-senadora Marina Silva (REDE) e o senador Aécio Neves (PSDB) aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar. Porém, Marina está numericamente à frente de Aécio. Na comparação com março, Marina perdeu quatro pontos, enquanto Aécio caiu cinco. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o presidente da República interino, Michel Temer (PMDB) estão empatados na terceira colocação. O índice do chamado “não voto” (branco, nulo e indeciso) é elevado (quase 1/3 do eleitorado).

Na segunda simulação, com o PSDB sendo representando pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a liderança numérica é de Lula (PT), que cresceu seis pontos percentuais em relação ao que tinha em março. Porém, considerando o limite da margem de erro (dois pontos percentuais para mais ou para menos), o ex-presidente está tecnicamente empatado com Marina Silva (REDE). No entanto, na comparação com a sondagem de março, Marina perdeu cinco pontos. Alckmin está dez pontos percentuais atrás de Marina e tecnicamente empatado com Bolsonaro, Ciro e Temer. O percentual de “branco, nulo e indeciso” também é alto (27%).

Na terceira simulação, com o candidato do PSDB sendo o ministro das Relações Exteriores, José Serra, Lula (PT) aparece novamente em primeiro lugar. Em relação a março, o ex-presidente cresceu seis pontos percentuais. Marina Silva (REDE) aparece em segundo lugar, seis pontos à frente de Serra, mas perdeu sete pontos em relação a março, quando liderava esse cenário. Nota-se que Serra, Bolsonaro, Ciro e Temer estão novamente tecnicamente empatados em segundo lugar. O índice de “branco, nulo e indeciso” continua elevado nesse cenário (26%).

No quarto cenário, com Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, aparecendo como pré-candidatos, Lula (PT) aparece novamente em primeiro lugar. O ex-presidente tem cinco pontos percentuais a mais que o registrado em março. Marina Silva (REDE) aparece em segundo lugar, tecnicamente empatada com Aécio Neves (PSDB) e o juiz Sérgio Moro (Sem partido). No entanto, tanto Marina quanto Aécio apresentam uma trajetória descendente. Em relação a sondagem de março, Marina perdeu três pontos percentuais, enquanto Aécio caiu quatro pontos na preferência da opinião pública. Já Moro, tem o mesmo índice das pesquisas anteriores. Jair Bolsonaro (PSC), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Michel Temer (PMDB) estão empatados. Vale registrar que a presença de Aécio, Alckmin e Serra, além de pulverizar ainda mais a disputa, é negativa para os tucanos, pois divide seu eleitorado tradicional. O índice de brancos, nulos e indecisos é novamente alto (20%).

Segundo turno: Marina venceria todos os possíveis adversários

As simulações de segundo turno realizadas pelo Datafolha também mostra uma disputa bastante indefinida. Porém, Marina Silva (REDE) ainda leva vantagem sobre seus adversários, pois venceria todos eles numa eventual disputa direta. Já Lula (PT), aparece tecnicamente empatado com Aécio Neves (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), mas perderia para José Serra (PSDB) e Marina. Chama novamente atenção o elevado percentual do chamado “não voto” (branco, nulo e indeciso), que varia de 24% a 26%, dependendo do cenário. Ou seja, quase um terço do eleitorado.

Rejeição de Lula dificulta chance de vitória do PT

Embora a rejeição de Lula (PT) tenha caído 11 pontos percentuais na comparação com março, o índice negativo do ex-presidente ainda é bastante elevado, o que dificulta seu desejo de retornar ao Palácio do Planalto em 2018.

Entre os possíveis pré-candidatos do PSDB, o mais rejeitado é Aécio. Serra e Alckmin tem praticamente o mesmo percentual negativo. Chama atenção a baixa rejeição de Marina Silva (REDE), fato que ajuda a ex-senadora a vencer todos seus possíveis adversários nas simulações de segundo turno.

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