Base de apoio encolhe, mas o presidente segue blindado


Os dois jornais de maior circulação nacional da grande imprensa – “O Globo” e a “Folha de S.Paulo”, em torno de 190 mil exemplares – informaram, em suas edições de fim de semana, que integrantes da base aliada do presidente Michel Temer que o apoiam publicamente na Câmara não chegam a 50 deputados.

“O Globo” constatou que apenas 44 deputados, sobretudo do PMDB e do PP, têm objeção a que o Supremo aceite a denúncia de corrupção passiva contra o presidente.

Os que defendem que seja concedida a autorização somam 121, liderados por PT, PDT, PCdoB e PSB. A maioria dos deputados, no entanto, não quis responder como irá votar (197) ou se disse indecisa (74).

A “Folha” constatou que só 45 deputados responderam que votarão contra a aceitação da denúncia. Já os que declaram apoio à continuidade das investigações somam 130. Outros 112 afirmam que não sabem ainda como votarão, e 57 não quiseram tomar posição.

Entre os deputados do PMDB, o número dos que se declararam contrários ao prosseguimento da denúncia é igual ao daqueles que afirmaram não ter posição formada a respeito do caso: 18.

Cenário geral ainda favorece Temer

Ainda assim, bem trabalhado, o cenário político fornecerá poucos fatores capazes de bloquear a vitória de Temer: surgimento de prova irrefutável, pressão das ruas, delação de forte valor material, etc. Há dois motivos para tanto.

O primeiro é o espírito de corpo do Legislativo, cujo maior interesse é mostrar ao procurador geral Janot que ele não impõe sua vontade ali, e aproveitará a oportunidade para enfraquecê-lo. Isso significaria enfraquecer a operação Lava Jato de maneira contundente.

Outro: o ataque frontal do procurador, por meio de denúncia e linguajar agressivos, confirmando o conflito histórico, aberto com o presidente.

Além disso, permanecem na opinião pública duas percepções: ao contrário da véspera do impeachment da ex-presidente Dilma, a economia apresenta bons resultados, e a saída de Michel Temer poderia desencadear um clima de incerteza pior do que o atual.

Os assessores do presidente desfrutam de bom espaço para negociação com os partidos de forma a mudar a escalação do ministério e assim assegurar 342 votos para a rejeição.

Cronograma apertado

O governo trabalha, então, para concluir a análise da denúncia apresentada por Rodrigo Janot antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho. Entretanto, o cronograma está apertado.

Para que isso acontecesse, seria necessário que o presidente Michel Temer não utilizasse as dez sessões previstas para apresentar sua defesa. A expectativa é que ele a apresente ainda nesta semana.

Uma vez definido, o relator apresentasse seu parecer até, no máximo, 11 de julho. E, se houvesse pedido de vista, que ele fosse formulado em, no máximo, 48 horas. A Comissão de Constituição e Justiça votasse o parecer no dia 13 de julho, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcasse a votação para o dia 17 de julho.

Outra possibilidade é segurar a votação da LDO por alguns dias. Sem que ela seja votada, o Congresso não pode entrar em recesso. Com isso, a denúncia poderia ser analisada. O problema é que há pressão de parlamentares, inclusive de aliados, para que haja recesso.

A oposição tenta esticar a análise do assunto a fim de desgastar o presidente e paralisar a agenda de votações do governo. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), por exemplo, apresentou requerimento para que Janot vá pessoalmente à Comissão de Constituição e Justiça para explicar a acusação contra o peemedebista.

Publicado n’O Tempo em 05/07/2017

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