Estudo global da PwC avaliou os principais desafios de empresas brasileiras quanto a gestão de riscos: acompanhar a velocidade das transformações digitais e de outras mudanças, análise de dados e gerenciamento de riscos são os principais desafios.
De acordo com a Pesquisa Global de Riscos 2022, quando pensam em gestão de riscos, 89% das empresas brasileiras têm dificuldades de acompanhar a velocidade das mudanças. No mundo, esta preocupação foi apontada por 79% das empresas participantes da pesquisa.
Como enfrentar este desafio e ter mais eficiência na tomada de decisões?
O setor de Relações Governamentais (RIG ou RELGOV) é um departamento estratégico nas empresas, responsável por acompanhar as legislações vigentes no setor, bem como monitorar os desdobramentos de projetos em discussão. Além de estabelecer e manter o diálogo com autoridades governamentais e reguladores.
Ainda segundo a pesquisa, a associação entre recursos tecnológicos e equipes preparadas é fundamental e os líderes brasileiros estão atentos a três aspectos da inovação para os quais têm priorizado os investimentos:
– Automação de processos, apontada por 77% dos respondentes;
– Análise de dados, indicada por 72% deles; e
– Detecção e monitoramento de riscos, 70%.
Automação de processos
As empresas precisam estar atentas às mudanças regulatórias que impactam o seu setor de atuação. Além de profissionais capacitados, é de extrema importância ter acesso a informações relevantes em tempo hábil, para que a área de RIG faça a análise do cenário e planeje estratégias.

Lidar com o enorme volume de informações, além da preocupação sobre a confiabilidade da fonte é uma tarefa árdua e que demanda muitas horas de esforço. Principalmente, quando feita manualmente.
Com tecnologia adequada, as empresas podem obter informações de maneira rápida e de acordo com seus interesses, monitorar e influenciar a agenda pública de forma mais eficiente, além de reduzir tempo e custos para tomar decisões mais informadas e estratégicas.
Ainda de acordo com a pesquisa, as empresas brasileiras aumentaram em 68% os recursos destinados à análise de dados, automação de processos e tecnologia para apoiar a detecção e o monitoramento de riscos.
Análise de dados
Esta é uma das tarefas mais importantes do setor de RIG e de diversos setores dentro de uma empresa. Reunir informações e transformá-las em inteligência, agrega valor ao planejamento estratégico da empresa, pois ajuda a identificar tendências de mercado e de atuação dos agentes influenciadores na área, como parlamentares, partidos políticos e organizações da sociedade civil.
Conhecimento baseado em dados é fundamental para determinar as estratégias, principalmente em um cenário de frequente mudanças como o Brasil, que apresenta uma média de 700 mudanças legislativas diariamente nos Três Poderes nos últimos 25 anos. Este ambiente de intensa transformação reforça a necessidade das empresas em encontrar formas mais eficientes de monitorar e influenciar as decisões do governo.

“A alta liderança precisa de subsídios que a faça se sentir segura com os rumos que os negócios tomam. Quando se utiliza extensivamente tecnologia e gestão de dados para tomada de decisões, é possível viabilizar um cenário mais previsível e assim orientar melhor os movimentos dos executivos, tudo isso tem que ser considerado em uma visão de gerenciamento de riscos eficiente, amparada por pessoas qualificadas e recursos digitais adequados”, afirma Evandro Carreras, sócio da PwC Brasil.
Detecção e monitoramento de riscos
Além de detectar riscos e oportunidades, é necessário implementar o gerenciamento de riscos no planejamento estratégico de uma empresa. O uso correto de ferramentas tecnológicas pode contribuir para a construção de uma estratégia eficiente frente às mudanças legislativas e regulatórias, reduzindo riscos e identificando oportunidades de atuação.
Leia mais! Reforma Tributária: bens de capital serão desonerados, entenda
O gerenciamento de riscos realizado de forma eficiente, aumenta a produtividade da empresa e potencializa seus resultados nas relações com stakeholders e influenciadores do mercado.
Para 54% das empresas brasileiras, a preocupação em calcular riscos desde a primeira fase dos projetos resultou em melhores decisões de negócios e em resultados mais duradouros.
“A capacidade de resiliência e o gerenciamento de riscos das organizações precisam se adaptar rapidamente para tornar mais ágeis os negócios. Além de contribuir com insights proativos, robustos e oportunos para a tomada de decisões. Em um ambiente onde a mudança é constante, esses recursos podem fornecer vantagem. Os líderes conseguem tomar decisões com confiança ao estabelecer sua estratégia, pois elas são fundamentadas em uma visão panorâmica e abrangente dos riscos”, completa Carreras.
Por Layane Monteiro, Analista Política e Criadora de Conteúdo da Nomos.