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Economia

Tarifas de importação sobem no Brasil: veja quais produtos entram na lista e como nova regra irá funcionar

Mudanças tributárias atingem centenas de itens ligados à tecnologia e indústria, com efeitos distintos entre governo e mercado

Levantamento mostra que burocracia ainda é maior barreira para indústrias brasileiras

O Governo Federal decidiu elevar o Imposto de Importação de uma ampla lista de itens ligados à tecnologia e à indústria, afetando desde celulares e computadores até equipamentos agrícolas e hospitalares. A medida já foi aprovada e passa a valer entre fevereiro e março, com mudanças relevantes nas alíquotas aplicadas a mais de 1.200 produtos.

A decisão faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência de itens vindos do exterior e estimular a produção nacional. A recomposição das tarifas altera o modelo anterior, que tinha muitos bens com imposto zerado ou reduzido, e cria uma nova estrutura com faixas mais elevadas.

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Na prática, a mudança atinge principalmente setores intensivos em tecnologia e investimento, com reflexos diretos em cadeias produtivas inteiras. O governo afirma que o impacto no consumidor tende a ser limitado, mas entidades do setor produtivo e importadores divergem e alertam para aumento de custos.

Segundo O Globo, a resolução foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, órgão responsável por decisões tarifárias que impactam o comércio internacional do país.

O que muda na prática?

A medida redefine o Imposto de Importação para 1.252 produtos, com novas faixas que variam aproximadamente entre 7,2% e 25%. Antes, parte significativa desses itens entrava no país com tarifas abaixo de 7% ou até zeradas, especialmente por meio de regimes especiais.

Com a nova regra, as alíquotas passam a se concentrar em níveis como 7%, 12,6%, 15% e 20%. O objetivo declarado é reduzir a vantagem de fornecedores estrangeiros frente à indústria nacional, especialmente em áreas consideradas estratégicas.

A leitura dentro da equipe econômica é que o país vinha ampliando sua dependência externa em segmentos-chave, como informática e máquinas industriais. Dados internos indicam que importados já representam parcela elevada do consumo nesses mercados, o que motivou a revisão das tarifas.

Apesar da elevação, o governo manteve mecanismos de exceção para evitar prejuízos a projetos produtivos. Produtos sem fabricação nacional continuam podendo ter imposto reduzido ou zerado por regimes específicos, como o ex-tarifário e outros incentivos voltados a investimentos industriais.

Quais produtos entram na lista?

De acordo com a CNN Brasil, a nova política atinge uma gama ampla de bens usados tanto por consumidores quanto por empresas. Entre os principais itens com aumento de imposto estão computadores, smartphones, roteadores e servidores utilizados em infraestrutura digital.

Também entram equipamentos médicos e componentes eletrônicos usados na indústria, além de máquinas industriais, agrícolas e de construção. Esses produtos são considerados fundamentais para cadeias produtivas que dependem de tecnologia estrangeira.

Setores como energia, petróleo, mineração e agronegócio tendem a sentir mais os efeitos, já que utilizam equipamentos importados em larga escala. Em muitos casos, esses bens não têm substitutos nacionais imediatos, o que levanta preocupações sobre custos.

Por outro lado, o governo argumenta que parte relevante dos eletrônicos consumidos no Brasil já é fabricada localmente. A produção doméstica de celulares, por exemplo, é concentrada em polos industriais com incentivos fiscais, o que ajudaria a reduzir o impacto final.

Impactos e divergências

A equipe econômica avalia que a mudança não deve gerar inflação relevante, já que muitos itens atingidos são bens de produção, e não produtos vendidos diretamente ao consumidor final. A expectativa é que a medida funcione como estímulo à industrialização, conforme a Revista Veja.

Na visão oficial, a recomposição tarifária também acompanha uma tendência global. Países desenvolvidos e emergentes vêm adotando políticas industriais mais protecionistas, elevando tarifas ou criando barreiras comerciais para fortalecer setores estratégicos.

Entidades empresariais, no entanto, têm outra leitura. Associações ligadas à tecnologia e ao comércio exterior afirmam que a elevação pode pressionar preços e reduzir a competitividade da indústria brasileira, especialmente em setores integrados globalmente.

A Associação Brasileira dos Importadores afirma que o aumento tarifário tem efeito imediato sobre custos e margens, podendo impactar empresas e consumidores. O setor também alerta que parte dos itens afetados são componentes usados na produção nacional, o que pode gerar efeito cascata.

Há ainda preocupação com prazos e previsibilidade. Empresas que dependem de equipamentos estrangeiros para expansão ou modernização podem enfrentar aumento de despesas, o que tende a influenciar decisões de investimento no curto prazo.

Como o governo pretende equilibrar a medida?

Para reduzir efeitos colaterais, o governo manteve regimes especiais que permitem reduzir ou suspender o imposto em situações específicas. Programas voltados a exportadores e setores intensivos em capital continuam válidos, funcionando como amortecedores.

Esses mecanismos permitem que projetos estratégicos, como infraestrutura e energia, mantenham acesso a equipamentos essenciais sem aumento abrupto de custos. A ideia é proteger a indústria nacional sem interromper investimentos relevantes.

Outro argumento do governo é que a medida foi desenhada de forma seletiva, concentrando aumentos em produtos com produção local. Já bens sem fabricação doméstica continuariam com tratamento diferenciado, o que reduziria o impacto geral.

Mesmo assim, especialistas apontam que os efeitos dependerão da reação do mercado e da capacidade da indústria brasileira de ampliar rapidamente sua oferta. Caso a produção interna não avance no ritmo esperado, a pressão sobre preços pode se tornar mais evidente.

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