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Brasil busca novos negócios para agropecuária na Ásia

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Na última quinta-feira (9), teve início a viagem oficial à Ásia da titular do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina. Em Tóquio (Japão), primeira etapa da missão, ela se reuniu com o vice-presidente da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Kazuhiko Koshikawa, e demais membros da organização, e apresentou, acompanhada do embaixador do Brasil no Japão, Eduardo Saboia, dados da produção agrícola e áreas com potencial de investimento externo. Segundo a ministra, uma das áreas com possibilidade de atuação conjunta é a região de Matopiba, que compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por grande parte da produção brasileira de grãos e fibras.
Por sua vez, a Jica comprometeu-se em ajudar o Brasil na atração de investimentos japoneses para infraestrutura de transporte (ferrovias, rodovias e aeroportos) dos produtos agropecuários. A delegação brasileira também esteve com a Federação das Indústrias do Japão (Keidanren), ocasião na qual Tereza Cristina apresentou aos empresários japoneses os setores do agronegócio brasileiro com interesse em investimentos externos. Ela apontou haver oportunidades ao longo de todas as cadeias produtivas do agronegócio: insumos, maquinários, produção, processamento, estocagem, distribuição e transporte.
A titular do Mapa ressaltou também que o aumento contínuo da produtividade no campo será realizado via implementação de processos inovadores de produção; e que as principais áreas de inovação que o Brasil busca investimentos externos são: conectividade nas áreas rurais, agricultura de precisão, rastreabilidade, mecanização agrícola de última geração e automatização. Enfatizou ainda que além de uma potência agrícola, o Brasil é também uma potência ambiental: 66% do território nacional são cobertos de vegetação nativa; e o Código Florestal determina ao agricultor conservar de 20% a 80% da vegetação nativa, dependendo do bioma.
Ao destacar que a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iPLF), que integra o Programa Agricultura de Baixo Carbono, a ministra brasileira disse que, em 2016, cerca de 12,6 milhões de hectares já adotavam a prática de iPLF. E apontou, aos representantes da Jica e da Keidanren, as medidas adotadas pelo governo federal para melhoria do ambiente de negócios no país, entre elas a reforma da Previdência e a Medida Provisória da Liberdade Econômica, a reforma tributária, desburocratização e simplificação de processos.
Já o embaixador Eduardo Saboia afirmou que mais da metade das importações de carne de frango do Japão são provenientes do Brasil, o que atesta a qualidade dos produtos, pois o mercado japonês é considerado um dos mais exigentes do mundo. Sublinhou também que em menos de seis meses de atuação, o Mapa teve resultados significativos em áreas como agricultura familiar, pesca e ampliação de zonas livres de febre aftosa sem vacinação. Por sua vez, o diretor da Keidanren, Takao Omae, afirmou que o Brasil tem demonstrado interesse em se tornar mais competitivo na exportação de grãos e que, para tanto, pretende melhorar o escoamento da produção via portos. Segundo ele, um ponto de interesse entre os países é aumentar a participação dos portos da Região Norte no escoamento da produção nacional, ao mencionar que 80% da produção saem do Brasil pelos portos da Região Sul.
Ao convidar os empresários a visitarem o interior do Brasil e também conhecerem áreas em que possam investir, Tereza Cristina disse que 46 projetos estão em andamento no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sendo 35 no setor de transporte, somando quase US$ 27 bilhões.
Em seu segundo dia visita ao Japão, a ministra Tereza Cristina tomou um “cafezinho” com importadores japoneses de cafés especiais brasileiros, na ocasião de um evento de promoção – parceria da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do ministério e a Associação Brasileira de Cafés Especiais – BSCA – de cafés especiais nacionais na UCC Coffee Academy, reconhecida escola de barismo de Tóquio pertencente à Ueshima Coffee Company (UCC), maior torrefadora do Japão. O objetivo é aumentar o consumo do produto pelo Japão e demais países da Ásia, continente considerado a nova fronteira para o mercado do café.
Quarto maior comprador do café brasileiro, o Japão está atrás apenas de Estados Unidos (1º), Alemanha (2º) e Itália (3º). De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, os japoneses importaram 2,484 milhões de sacas/60 Kg, de janeiro a dezembro do ano passado. O arábica foi o mais comprado e, de janeiro a 31 de março deste ano, foram importadas mais de 759 mil sacas. Segundo Tereza Cristina, o café é um dos mais antigos produtos exportados pelo Brasil e os japoneses estão ajudando a transformá-lo de uma commodity para um produto gourmet.
Quanto à carne bovina e ao abacate, a ministra reiterou a expectativa brasileira para abertura dos mercados, enfatizando que os japoneses ficarão muito satisfeitos com o gosto e a qualidade da carne brasileira. Também na última quinta-feira (9), ela debateu os temas com os colegas da Agricultura e Saúde do Japão. E no último final de semana, participou ainda da Reunião dos Ministros da Agricultura do G20, em Niigata, onde teve encontros bilaterais com autoridades de diversos países.
China
Com reuniões e eventos previstos esta semana em Xangai, na China, a ministra já esteve hoje (13) com investidores chineses e também já divulgou os cafés especiais brasileiros em uma cafeteira. Em encontro organizado pelo Banco do Brasil em parceria com o consulado brasileiro, ela apresentou dados do setor agropecuário e áreas com potencial de crescimento a um grupo de 40 investidores chineses com projetos no Brasil, que se comprometeram a aumentar os investimentos no Brasil em setores de sementes, suinocultura, infraestrutura e ferrovias.
Os chineses sinalizaram interesse em obras ferroviárias, a exemplo do corredor ferroviário para escoamento de grãos da Região Centro-Oeste, o Ferrogrão, que será construído entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), onde está localizado o Porto de Miritituba. Com lançamento do edital estimado para ocorrer no quarto trimestre de 2019, o projeto é orçado em US$ 3,37 bilhões. Também foi mencionada a obra da ferrovia Fiol, que ligará Ilheús (BA) a Figueirópolis (TO), a fim de escoar minério de ferro da região de Caetité e grãos) e a Norte-Sul – principal via para o escoamento de grãos pelo Arco Norte com investimentos estimados em US$ 680 milhões.
Há ainda grandes expectativas por parte dos investidores chineses no que diz respeito às medidas a serem adotadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro para destravar a economia do país. Estiveram presentes na reunião o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Orlando Leite Ribeiro; o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, Fernando Camargo; a diretora da Promoção Internacional do ministério, Márcia Nejaim, e o cônsul geral do Brasil em Xangai, Gilberto Moura.
A delegação teve como primeiro compromisso a divulgação de cafés especiais brasileiros na SeeSaw cafeteria. Em meio ao cenário de crescimento do mercado chinês de consumo de café, Teresa Cristina ressaltou que o cafezinho brasileiro é símbolo de amizade no Brasil e já pode ser considerado café gourmet, disseminado pelo mundo. A ministra, que também estava acompanhada deputados federais, revelou o seu desejo de que a China tomasse mais café. Com o apoio da diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira, o evento de promoção foi organizado pelo importador Jason Wang.
Agronegócio
Em 2018, o agronegócio correspondeu a quase metade das exportações brasileiras para o Japão, com a carne de frango liderando a lista. As vendas totalizaram mais de R$ 2 bilhões, porém, consistem no segundo pior resultado em uma década e queda de 18% em relação a 2017. Na avaliação de Tereza Cristina, há cinco anos que não se progrediu muito nesses números com o Japão e, por isso, considera que hoje é um bom momento para exportar de maneira mais firme volumes maiores para o país asiático e abrir alguns mercados novos, além de manter ou aumentar esses que já existem.
Já em relação à China, o Brasil está com suas atenções voltadas a duas questões relevantes: a febre suína africana, que se espalhou por pequenas propriedades do país e já levou ao abate de milhares de animais; e a guerra comercial que vem sendo travada entre chineses e americanos. A ministra avalia ser oportuno neste momento oferecer aos chineses uma parceria e cooperação, bem como a abertura de mais plantas de bovinos e aves, de modo a suprir essa falta de proteína animal que eles vão ter pelos próximos anos.
De acordo com a titular do Mapa, a Ásia responde por 36% das exportações brasileiras e existem novos mercados a explorar, como Vietnã e Indonésia, que juntos, somam mais de 300 milhões de habitantes. É possível expandir, frisou a ministra, a venda de café e algodão para a China e fechar acordo para exportação de abacate para o Japão.
Após passar pelo Japão e China, Tereza Cristina segue ainda em viagem oficial para Vietnã e Indonésia.

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