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Geopolítica

Pressionados por rejeição à IA, gigantes de tecnologia querem conquistar vizinhos de data center

Com a população de olho no prejuízo dos data centers no emprego, segurança e meio ambiente, os donos das big techs já decidiram como aliviar os ânimos

Elon Musk
A SpaceX, de Elon Musk, a Anthropic, dona do assistente de IA Claude, prometeram grandes doações financeiras (Foto: Wikimedia Creative Commons)

As empresas e empresários de inteligência artificial (IA) tentam agradar a população conforme o avanço da exploração dessa tecnologia compromete o emprego, a segurança e o meio ambiente.

Apesar da tecnologia parecer funcionar de forma autônoma, centros de dados — os data centers — necessitam de recursos naturais para manter o funcionamento e, por isso, consome grandes quantidades de eletricidade, calor e água. O Brasilianista mostrou como em 2025 os data centers da América do Norte consumiram quase 1 trilhão de litros de água.

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Além disso, o relatório ambiental de 2025 identificou que, em 2024, o consumo de água nos locais que pertencem a empresas aumentou 51%, passando de 3.726 megalitros em 2020 para 5.637 megalitros em 2024. Segundo as Nações Unidas, mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água potável segura atualmente, porém, as empresas de tecnologia utilizaram o necessário para abastecer mais de 13.000 residências por um ano.

Outro grande problema dos data centers é o barulho causado principalmente por sistemas de refrigeração, chillers e ventoinhas que funcionam 24 horas por dia. O som é frequentemente comparado a um zumbido contínuo, um aspirador de pó ligado ou o rotor de um helicóptero, gerando poluição sonora e até infrassons de baixa frequência que podem ser sentidos fisicamente no corpo. 

Em péssimas condições, as bigtechs tentam agradar a população, especialmente aquela que reside nos entornos dessas construções, para seguir com seus projetos.

A SpaceX de Elon Musk e a Anthropic, dona do assistente de IA Claude, prometeram grandes doações financeiras recentemente.

Musk anunciou que doará uma de suas ações da SpaceX, dona da xAI, para cada criança nos Estados Unidos no próximo ano. Por sua vez, a Antrhopic afirmou que destinaria 5% de suas ações a um fundo que fará doações para o "bem público".

Os detalhes sobre como cada criança americana receberia uma ação da SpaceX não foram divulgados, mas Musk afirmou que essa seria "a primeira de muitas" distribuições.

Os compromissos surgem ao passo em que a indústria da IA ​​sofre diversas críticas e pressões de regulamentação, devido a preocupações com a segurança e receios sobre o seu impacto na sociedade e nos empregos.

Enquanto nações estão regulamentando regras para as big techs e o uso de IA, uma pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicada em 2024  indica que quase 40% dos empregos em todo o mundo serão afetados pela tecnologia, número que pode chegar a 60% em economias avançadas.

A bolha de IA

Estima-se que as grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Google, Meta e Amazon, juntamente com investidores privados devam injetar até US$ 7 trilhões no desenvolvimento de datacenters até 2030. Porém, diversos especialistas já avaliam que a "bolha de IA" pode estourar e os projetos podem não se sustentar no longo prazo.

Nesse contexto, a estratégia das big techs é outra: ao contrário da primeira fase do boom IA, que foi bancada prioritariamente pelo caixa das companhias, a fase atual depende massivamente de empréstimos bancários, títulos de dívida (bonds) e crédito privado.

A premissa é que os lucros futuros superarão as dívidas com os contratos de longo prazo com essas operadoras. Por outro lado, já há uma parte do mercado que está cética sobre esse retorno, o que encarece os juros das dívidas.

Para não acumularem todo o risco de crédito em seus balanços, grandes bancos e gestoras estão securitizando essas dívidas e transferindo os riscos para seguradoras, fundos de pensão e investidores do mercado de varejo.

Esses arranjos equivalem ao que os analistas de mercado chamam de “shadow borrowing”, ou empréstimos paralelos. São obrigações economicamente semelhantes a dívidas, mas que, em grande parte, ficam fora dos balanços corporativos.

Isso porque existe um temor real de que o retorno financeiro com aplicações de IA demore mais do que o previsto para se concretizar ou que os equipamentos, como chips e servidores, se tornem obsoletos antes mesmo que os datacenters consigam amortizar suas dívidas.

Além do risco financeiro, a pressão sobre as redes elétricas e as isenções fiscais concedidas a esses empreendimentos podem sobrecarregar finanças públicas locais e se traduzir em aumento na conta de luz dos consumidores.

Dívidas ocultas

O Brasilianista mostrou como as big techs aumentaram suas dívidas “ocultas” para um valor estimado de US$ 1,65 trilhão (R$ 8,37 trilhões) somente no último trimestre, ao mesmo tempo em que os investimentos em inteligência artificial (IA) sobem exponencialmente.

Um estudo do Nikkei Asia mostrou que esse montante já é maior do que a dívida registrada nos balanços das companhias de tecnologia dos Estados Unidos, de US$ 1,35 trilhão (R$ 6,85 trilhões). 

Esse fator preocupa os investidores, visto que não conseguem ter uma avaliação de risco completa. A pesquisa analisou demonstrações financeiras recentes e outros documentos da Alphabet (Google), Microsoft, Amazon, Meta e Oracle.

A Meta, por exemplo, possui quase o triplo da dívida registrada fora do balanço. São cerca de US$ 420 bilhões (R$ 2,13 trilhões) em débitos não informados aos acionistas e ao mercado.

O estudo avalia que boa parte desses valores estão sendo aplicados na expansão dos datacenters focados em melhorar o desenvolvimento dos modelos de IA das empresas. As big techs fariam isso firmando contratos de longo prazo para compra de GPUs e servidores.

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