O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão presos nos Estados Unidos há mais de dez meses após a invasão de Washington em Caracas no início do ano.
O sul-americano foi preso sob acusações de tráfico de drogas internacional e aguarda um julgamento no país estrangeiro que deve começar em junho de 2027.
Meses depois da prisão e da nova liderança na Venezuela, como estão as acusações americanas e o país latino?
Julgamento de Maduro
Entre as acusações feitas a Maduro e Flores, estão abuso de poder para ajudar traficantes a transportar cocaína, conspirar para torturar opositores políticos, narcoterrorismo e posse de metralhadoras.
O documento de denúncia emitido em janeiro afirma que Maduro e seus aliados transformaram as instituições venezuelanas em um foco de corrupção alimentada pelo narcotráfico para benefício próprio.
Na visão do governo de Donald Trump, os narcoterroristas violentos que operam na Venezuela ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de drogas para os EUA.
O texto ainda afirma um suposto grupo formado por Maduro, sua esposa, filho, dois funcionários próximos e um líder de uma gangue considerada terrorista. Além disso, indica que Maduro recebia lucros da venda de drogas em troca de proteção policial e apoio logístico e político.
O governo americano reitera que o ex-líder venezuelano e sua esposa comandaram grupos de drogas, ordenando sequestros, espancamentos e assassinatos.
Ambos se declaram inocentes. Vale lembrar que, se forem condenados por todas as acusações, eles devem enfrentar pena mínima obrigatória de 50 anos na prisão.
Atualmente, eles estão presos no Brooklyn, em Nova York, no Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), considerado por advogados e juristas o "inferno na Terra" devido às condições desumanas em que os presos ficam.
Tortura de opositores políticos
Acusações adicionais apresentadas na última quinta-feira (08) responsabilizam Maduro e Flores por conspirar para torturar opositores políticos. Nesta quinta (15), ambos se declararam inocentes, conforme mostrou a Reuters.
Promotores do gabinete do procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York afirmam que Maduro orientou autoridades a torturar políticos da oposição e integrantes das Forças Armadas que eram acusados de conspirar contra ele. O objetivo, supostamente, seria se manter no poder da Venezuela.
Apesar de não serem denunciados por praticar pessoalmente os atos de tortura, os promotores alegam que os venezuelanos apoiaram e organizaram a tortura.
A Venezuela nas mãos dos EUA
Após a captura de Maduro, quem assumiu a presidência da Venezuela foi a ex-vice, Delcy Rodríguez, ampliando a cooperação com os Estados Unidos.
Ouro
A administração do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a importação de ouro venezuelano para o país após a derrubada do ex-presidente sul-americano Nicolás Maduro. Ainda assim, grande parte do material acumulado permanece intocado.
Reportagem do The New York Times mostra que os estoques de ouro da Venezuela estão parados porque refinarias americanas recusam-se a processá-lo devido a riscos de corrupção e elos com o crime organizado.
Assim como na exploração de petróleo, não há registros do uso do dinheiro recebido com possíveis vendas de ouro venezuelano, pois os recursos obtidos com a venda do ouro não são administrados diretamente pelo governo sul-americano. O montante arrecadado e os impostos relacionados deverão ser depositados em um fundo supervisionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, atualmente administrado no Catar.
Petróleo
Desde a captura de Nicolás Maduro, os americanos começaram a cuidar das operações de petróleo do país sul-americano.
Levantamento do Financial Times revelou que o governo de Donald Trump supostamente arrecadou mais de US$ 13 bilhões — o equivalente a R$ 66 bilhões — em receitas com a venda de petróleo em 2026 até julho deste ano. Porém, não se sabe o que aconteceu com esse dinheiro.
As receitas do petróleo representavam, antes do controle americano, cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. Com as operações realizadas pelos EUA, esperava-se um grande impulso para a economia do país — o que não aconteceu.
A pressão política de democratas e republicanos para o governo indicar o destino oficial do dinheiro aumenta, mas as autoridades entregam versões divergentes sobre os repasses.
No último mês, a Eneva, que tem o BTG Pactual como maior acionista individual, assinou um memorando de entendimento com a americana Halliburton para identificar e desenvolver oportunidades no setor de petróleo e gás venezuelano, mercado que passa por uma reabertura a empresas estrangeiras.
A companhia também já havia indicado interesse em projetos de geração termelétrica a gás na Venezuela.
Interesse em minerais críticos
O governo Trump busca maior acesso dos EUA aos minerais da Venezuela, para além do ouro. O objetivo seria, segundo fontes ouvidas pela Reuters, dar às empresas americanas acesso ao fornecimento de minerais cruciais para a segurança nacional.
Trump ainda considera uma série de medidas para aumentar o envolvimento dos EUA no setor de mineração venezuelana, incluindo uma possível ordem executiva focada em minerais críticos. Porém, a estratégia ainda pode mudar.
Além do petróleo, a Venezuela possui uma grande reserva de minerais que podem ser essenciais para o desenvolvimento de tecnologias. Os EUA buscam ativamente essa exploração em outros países da América Latina, como no Brasil, com parcerias entre empresas mineradoras.
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