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Economia

Braskem em crise

Companhia tem dívida de US$ 10,9 bilhões (R$ 56,12 bilhões) e terá 90 dias para negociar com credores

Braskem
Decisão ocorre após meses de tratativas Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A Braskem entrou em uma nova etapa de sua crise financeira nesta segunda-feira (24), após o Conselho de Administração aprovar o pedido de recuperação extrajudicial da companhia.

A petroquímica possui cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56,12 bilhões) em dívidas e pretende negociar com os credores um plano de reestruturação nos próximos 90 dias.

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A decisão ocorre após meses de negociações para reorganizar as obrigações financeiras da empresa.

Em junho, O Brasilianista mostrou que a Braskem havia obtido na Justiça a suspensão das execuções de credores por 60 dias e iniciado um processo de mediação para tentar construir um acordo antes da formalização da recuperação extrajudicial.

Agora, a companhia deve formalizar os documentos necessários e protocolar o pedido.

A recuperação terá escopo financeiro, sem incluir obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders, que, segundo a empresa, continuam sendo cumpridas normalmente.

Braskem avança na negociação com credores

A recuperação extrajudicial dará à Braskem um novo período para negociar o desenho definitivo do plano de reestruturação.

A empresa terá aproximadamente 90 dias de proteção enquanto busca consolidar o acordo com os credores.

Entre os principais credores estão bancos e detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, os chamados bondholders.

Do total de aproximadamente US$ 10,9 bilhões (R$ 56,12 bilhões) em dívidas, cerca de US$ 7 bilhões (R$ 36,04 bilhões) estão concentrados nesse grupo.

A companhia precisa alcançar a adesão necessária dos credores para avançar com o plano.

Antes do pedido, as negociações envolviam principalmente o alongamento dos prazos e períodos de carência para os pagamentos.

Crise da Braskem se arrasta há meses

A atual situação financeira da Braskem ocorre após uma série de mudanças na estrutura de controle e de sucessivos impactos sobre as contas da companhia.

Em abril, a IG4 Capital assumiu posição central no controle da petroquímica, em um modelo compartilhado com a Petrobras.

O Brasilianista acompanhou essa mudança e mostrou que a nova administração assumiu a companhia justamente em meio às discussões sobre uma possível recuperação extrajudicial.

Naquele momento, a Braskem acumulava dívida líquida de aproximadamente US$ 7,5 bilhões (R$ 38,62 bilhões) e endividamento bruto próximo de US$ 9,4 bilhões (R$ 48,39 bilhões) no fim de 2025.

Além da pressão financeira, a companhia enfrenta passivos relacionados à exploração de sal-gema em Maceió, que provocou o afundamento do solo em bairros da capital alagoana. 

O episódio gerou indenizações, acordos e outros compromissos financeiros para a petroquímica.

Outro fator envolve os desdobramentos da Operação Lava Jato e a antiga controladora da Braskem, a Novonor, antiga Odebrecht.

A utilização de ações da petroquímica como garantia em operações financeiras também influenciou a estrutura societária da empresa.

Outras empresas recorreram à recuperação extrajudicial

A Braskem entra agora em um grupo de grandes companhias brasileiras que recorreram à recuperação extrajudicial para reorganizar dívidas.

Entre os casos recentes como divulgou O Brasilianista está o Grupo Pão de Açúcar (GPA), que utilizou o mecanismo para renegociar aproximadamente R$ 4,57 bilhões em dívidas financeiras.

A Casas Bahia também adotou a recuperação extrajudicial em 2024 para reestruturar cerca de R$ 4,1 bilhões em compromissos financeiros.

O plano envolveu alongamento dos prazos, redução do custo da dívida e possibilidade de conversão de parte dos créditos em ações.

Como mostrou O Brasilianista, outro caso é o da Raízen, que apresentou um plano envolvendo aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas.

A empresa também recebeu um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell durante o processo de reestruturação.

Já a Marisa utilizou o mecanismo para reorganizar sua estrutura financeira sem interromper as operações.

Como informou O Brasilianista, a Invepar, por sua vez, recorreu a acordos de standstill para suspender temporariamente cobranças enquanto negociava com os credores.

Desastre em Maceió

O caso envolvendo a exploração de sal-gema em Maceió permanece entre os principais passivos enfrentados pela Braskem.

O afundamento do solo atingiu bairros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol, provocando a retirada de milhares de moradores e comprometendo imóveis na capital alagoana.

Segundo O Brasilianista, cerca de 60 mil pessoas foram afetadas pelo desastre.

Além dos impactos sociais, a crise gerou uma série de indenizações, acordos e obrigações financeiras para a petroquímica.

Em novembro de 2025, a Braskem e o Governo de Alagoas firmaram um acordo de R$ 1,2 bilhão, com pagamento previsto ao longo de dez anos.

O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), porém, contestou os valores e questionou a ausência de participação dos atingidos nas negociações.

Máfia da Nafta também cita empresa ligada à Braskem

A Refinaria Riograndense, formada por uma parceria entre Braskem, Petrobras e Ultrapar, aparece em uma decisão judicial relacionada à investigação da chamada “Máfia da Nafta”.

Segundo decisão sigilosa obtida pelo O Brasilianista, a Riograndense e a Dax Oil foram apontadas como principais parceiras da Petrodansk, empresa investigada por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o Ministério Público de São Paulo, as operações envolvendo a Petrodansk, a Refinaria Riograndense, a Dax Oil e a Companhia Brasileira de Logística movimentaram valores bilionários.

A decisão judicial de 26 de maio detalhou mais de R$ 1,3 bilhão em compras de nafta petroquímica, distribuídas entre notas fiscais atribuídas às empresas citadas.

A Braskem, porém, não aparece como acusada diretamente pela investigação. A Petrobras também declarou que a Riograndense possui gestão própria e que não foi alvo de medidas do Ministério Público paulista no caso.

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