O ex-ministro da Fazenda e candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) representa um risco institucional nas eleições, além de comparar sua disputa com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a uma “luta de Davi contra Golias”.
A declaração aconteceu nesta quarta-feira (19), quando Haddad participou de uma sabatina ao vivo dos jornais O Globo, Valor Econômico e da rádio CBN.
A história de Davi e Golias é uma lenda religiosa em que um guerreiro gigante, Golias, ameaçava Israel constantemente e desafiava-os a lutar contra ele, que teria três metros de altura. Davi, por sua vez, era um pastor que decidiu lutar contra Golias a partir de sua fé em Deus, que o protegia no campo e o protegeria dos males do gigante. A luta acabou na vitória de Davi e a fuga dos filisteus.
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas protagonizam uma das principais disputas eleitorais de 2026. Quando observado da perspectiva de campanha presidencial, o estado é um colégio eleitoral importante e que pode fazer a diferença tanto no primeiro quanto segundo turnos. Ainda assim, o atual governador do estado segue liderando as pesquisas de intenção de voto.
Enquanto Tarcísio depende politicamente da capacidade de Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário da atual gestão do governo paulista, em conectá-lo ao meio político paulista, Haddad já foi prefeito da capital e possui ampla potência política na região. Porém, o petista acumula uma forte rejeição da população fora da capital.
Disputa nacional e estadual
Durante a sabatina, o ex-ministro da Fazenda reiterou que, na disputa presidencial, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro seria um risco do ponto de vista econômico, social e institucional. Ele reiterou que Flávio é “um problema muito grande” e, por isso sua candidatura ao governo de São Paulo seria um trabalho nacional e estadual.
Haddad confessou que está em desvantagem contra Tarcísio, visto que o atual governado é apoiado por uma coligação que une “Centrão e bolsonarismo”. Por outro lado, ele avalia que Flávio ainda não conseguiu formar alianças contra Lula.
Nesse cenário, ele afirmou que deve utilizar de temas como saúde pública, segurança e educação na campanha eleitoral para se firmar na corrida pelo cargo no Palácio dos Bandeirantes.
Haddad apoia investigações à Lulinha
Para Haddad, as investigações da Polícia Federal (PF) contra um dos filhos de Lula, Fábio Luís, o Lulinha, que estaria envolvido com uma lobista no caso das fraudes nas aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), devem continuar e que, se considerado culpado, Lulinha deve ser punido.
O ex-ministro afirmou que o PT, assim como todo partido, dificilmente consegue se blindar da ação de pessoas interessadas em obter vantagens com o serviço público. Ainda citou o caso do Banco Master, alegando que tentaram “colar” a investigação com o governo Lula, mas que quatro ministros do governo Bolsonaro teriam recebido valores do ex-dono do banco, Daniel Vorcaro.
Sobre a investigação de Lulinha, o petista reiterou que o presidente Lula não irá “passar pano para ninguém”.
A PF investiga a conexão do filho do presidente com a lobista Roberta Luchsinger sobre fazer negócios e de atuar em lobby junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Lula. A mulher é suspeita de tráfico de influência.

