A NW Advogados informou nesta sexta-feira, 14, que o advogado Nelson Wilians decidiu se afastar do comando do seu escritório de advocacia. Ontem, O Brasilianista noticiou que o empresário e a PixBet foram alvo da Operação Arena.
A ação da Polícia Federal e da Receita Federal atuou para desmantelar casas ilegais de apostas esportivas no país. A PF fez 17 buscas e apreensões em Sergipe, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraíba. A Justiça Federal mandou bloquear até R$ 1 bilhão de bens e ativos da empresa e de Wilians.
Em nota, o escritório disse que um Comitê Executivo será responsável pela administração e dará sequência às operações com os clientes e colaboradores parceiros.
“A decisão foi comunicada pelo próprio Dr. Nelson Wilians, que optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família. O afastamento também permitirá que ele acompanhe os desdobramentos da apuração em curso e permaneça à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários”, diz a nota.
A Operação Arena
Segundo os investigadores, busca-se investigar crimes de lavagem de dinheiro, envio e manutenção de bens para contas no exterior e a omissão dos órgãos em relação à sonegação e à evasão fiscal.
A operação ainda revelou que os envolvidos esconderam parte da renda e deixaram de pagar impostos por meio de uma rede de instituições de pagamento estruturada para realizar operações de câmbio e movimentar ativos digitais com empresas internacionais.
Nesta sexta, o escritório de Nelson reforçou o compromisso com a “legalidade, a transparência e a plena colaboração com as autoridades competentes”.
O advogado que representa o caso disse que a relação de Nelson com a PixBet é profissional e que as atividades do escritório são estritamente voltadas para a prestação de serviços de advocacia, com atuação dentro dos limites legais.
As declarações da PixBet e do escritório de Nelson Wilians
“É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”, disse o advogado Santiago Schunk.
Ao O Brasilianista, a PixBet informou que “entende ser adequado aguardar o esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes antes de fazer qualquer manifestação específica sobre eventuais movimentações financeiras, empresas ou demais aspectos relacionados ao caso”.
A casa de apostas se projetou como patrocinadora de times do futebol brasileiro, como Corinthians e Flamengo, e, após o início da Operação Arena, a empresa foi formalmente incluída no inquérito, com bloqueio judicial de até R$ 1,1 bilhão.
De acordo com o Metrópoles, a PF afirma que a estrutura de lavagem de dinheiro da PixBet repete o modelo usado por um grupo criminoso desmantelado em 2018, que desviava recursos da Saúde Pública na Paraíba.
As operações financeiras que envolveram Nelson Wilians
O advogado passou a ser alvo de três investigações nos últimos anos. A Operação Sem Desconto, ainda em 2025, revelou um esquema de fraudes em descontos ilegais nas contas de aposentados e pensionistas.
Wilians foi investigado por utilizar a estrutura do seu escritório para possibilitar o desvio de dinheiro em benefício do Careca do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo.
Em julho de 2026, Wilians foi investigado na Operação Distrato, que passou a apurar fraudes tributárias envolvendo créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Jundiaí, Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo, Londrina e Cambé.
Wilians é acusado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil paulista de comercializar R$ 3,8 bilhões em isenções fraudulentas a empresas por meio de seu escritório de advocacia.
O juiz Fábio Costa
Recentemente, o ex-sócio do escritório Fábio da Costa Vilar acionou a Justiça para receber pela sua saída após assumir a função de juiz no Maranhão.
Wilians se comprometeu a pagar, em 2025, R$ 1,92 milhão, dividido em parcelas de R$ 80 mil a serem pagas durante dois anos.
O advogado atrasou os pagamentos e Nelson, sob risco de bloqueio de bens e ativos, fez um acordo com o juiz para pagar o total de R$ 392 mil em custas e honorários junto com o valor devido. O caso foi arquivado.

