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Economia

Os motivos que pressionam a desvalorização da B3

Fazem oito sessões seguidas que o Ibovespa fecha em baixa

Os motivos que pressionam a desvalorização da B3

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, encerrou o pregão da última quinta-feira (13) em queda de 6,12% acumulada nos últimos oito pregões, aos 167.100,95 pontos. A referência completa, assim, uma sequência de oito sessões consecutivas de baixa.

Levantamento da Elos Ayta obtido por O Brasilianista mostra que, desde janeiro de 2000, movimentos dessa natureza foram registrados em apenas sete ocasiões, incluindo a atual. A última vez que o Ibovespa havia registrado oito quedas consecutivas foi em 10 de agosto de 2023, quando a sequência acumulou uma queda de 2,95%.

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Nas demais ocorrências, as perdas acumuladas ao longo dos oito pregões foram significativamente maiores: 11,87% em 2000, 17,20% em 2001, 11,73% em 2012, 9,47% em 2015 e 9,19% em 2022.

A queda deste ano chama atenção não apenas pela duração da sequência, mas também pela intensidade da correção. Apesar de a queda acumulada de 6,12% ainda estar abaixo das maiores sequências observadas desde 2000, o índice passa a integrar um grupo bastante restrito de períodos em que o mercado registrou oito pregões consecutivos de baixa.

Para fins de comparação, outro levantamento da Elos Ayta mostra que, entre 3 e 12 de agosto, empresas listadas na B3 perdem R$ 279 bilhões em valor — o equivalente a 90% do atual valor de mercado da Vale (VALE3), de cerca de R$ 311 bilhões. Os bancos, por exemplo, perderam sozinhos o equivalente a quase um Banco do Brasil (BBAS3).

Em apenas sete sessões, portanto, a Bolsa brasileira perdeu em valor de mercado próximo a terceira maior companhia do país.

O que está pesando no desempenho da B3?

A sequência de perdas ocorreu em um ambiente de maior cautela com os ativos brasileiros, marcado por preocupações com o cenário doméstico, incertezas relacionadas ao processo eleitoral e redução da exposição de investidores estrangeiros à Bolsa.

A pressão também ocorre em um cenário de saída de investidores estrangeiros. Um outro estudo desta semana revelou a retirada de R$ 7,2 bilhões da Bolsa no mês, até os dados divulgados em 12 de agosto.

Para a Elos Ayta, a concentração das perdas em grandes setores e a magnitude da redução do valor de mercado mostram que a sequência de quedas do Ibovespa representa um movimento relevante de reavaliação das companhias brasileiras pelo mercado.

O Brasilianista também mostrou as dificuldades da questão fiscal no Brasil. A dívida pública da União bateu recorde em 2026 ao atingir 77,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril. O governo ainda tem R$ 330,9 bilhões em despesas não obrigatórias para pagar neste ano.

Segundo o levantamento, a perda de valor de mercado foi disseminada entre diferentes segmentos, mas teve forte concentração em seis setores: Bancos, Energia Elétrica, Exploração, Refino e Distribuição, Seguradoras, Cervejas e Refrigerantes e Serviços Médico-Hospitalares perderam, juntos, R$ 213,6 bilhões, o equivalente a 76,5% de toda a redução de valor de mercado das empresas listadas na B3 no período.

O maior recuo foi registrado pelo segmento de Bancos, formado por 18 instituições. O setor perdeu R$ 100,1 bilhões em valor de mercado, praticamente o equivalente ao valor de mercado do Banco do Brasil, atualmente próximo de R$ 108 bilhões.

Na sequência aparecem Energia Elétrica, com 29 empresas e perda de R$ 37,4 bilhões, e Exploração, Refino e Distribuição, com nove companhias e recuo de R$ 35,8 bilhões.

Completam os seis setores Seguradoras, com perda de R$ 15,3 bilhões; Cervejas e Refrigerantes, com R$ 14,2 bilhões; e Serviços Médico-Hospitalares, com R$ 10,7 bilhões.

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