Publicidade
Política

Caso de assessor de Lula e lobista do INSS desgasta, mas ainda não virou escândalo

Eleitor diz que Michelle Bolsonaro deveria ser escolhida como vice e que saiu fortalecida no conflito familiar

Caso de assessor de Lula e lobista do INSS desgasta, mas ainda não virou escândalo

O Instituto Democracia em Xeque publicou uma nova edição do seu Painel Narrativa Semanal, estudo que monitora as percepções dos eleitores indecisos, focando em assuntos como alianças políticas, propostas socioeconômicas e corrupção.

O estudo analisou como o eleitor indeciso escolhe na hora de votar: se adere à ideologia, à confiança, à moralidade ou ao comportamento dos candidatos.

Publicidade

O escopo do estudo apresentou seis eixos que tratam dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, envolvendo o filho do presidente da República, Fábio Luiz (“Lulinha”), e o ex-chefe de gabinete (“Marcola”), que pediu um empréstimo a Roberta Luschinger. Os empresários são investigados por suposto tráfico de influência.

Síntese das percepções dos escândalos

Os entrevistados reconhecem o problema do caso envolvendo Lulinha e Marcola, pois essa exposição coloca o presidente da República em vulnerabilidade.

No entanto, o episódio não é visto como suficiente para romper a confiança institucional. Enquanto isso, no caso Master, envolvendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a cobrança moral é maior por conta da percepção de mentira e dissimulação.

Em relação ao presidente Lula, esse desgaste é menor por três razões: a dificuldade do eleitor em entender as investigações em andamento; a resposta do presidente ao defender a independência da Polícia Federal (PF) no processo investigativo (a chamada postura estadista); e a responsabilização direta dos investigados.

A “vulnerabilidade” de Lula sobre o caso envolvendo seu chefe de gabinete com pessoas investigadas no escândalo do INSS — mesmo que o valor do empréstimo seja pequeno em comparação com o caso Master — faz com que o eleitor tenda a cobrar que o presidente seja mais cuidadoso com quem está no seu entorno.

Vorcaro e o pedido de Flávio

Outra parte do estudo explica a relação com o Banco Master e o filme Dark Horse, referente ao momento em que Flávio pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro doações para um fundo privado com o objetivo de financiar a produção audiovisual.

As versões conflitantes sobre o caso, a ausência de explicações e a falta de provas — que o próprio senador se comprometeu a tornar públicas — desfavorecem a percepção de confiança em Flávio.

O senador faz com que o eleitor indeciso passe a acreditar que ele esteja “mentindo e atuando de forma dissimulada”.

O instituto também perguntou a percepção dos entrevistados em relação à indicação do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de Flávio Bolsonaro.

A escolha do relator do INSS para compor a chapa presidencial é interpretada como uma má decisão. O argumento principal seria a incoerência, já que o discurso do candidato é de defesa da família, enquanto Gaspar — que foi acusado de ter praticado um suposto estupro — passa “menos uma demonstração de força e mais um sintoma de falta de opções”.

Todos os entrevistados disseram que seria melhor indicar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para o cargo de vice, por “sua força entre mulheres e evangélicos e pela possibilidade de a campanha narrar uma reconciliação”.

A pré-candidata ao Senado é vista como mais preparada para assumir a função de vice e como alguém que não aceitaria um “papel decorativo”.

Além disso, o gesto de reconciliação após o pedido de desculpas de Flávio à madrasta — em razão dos vídeos publicados que expuseram a crise no relacionamento entre os dois — soa falso para o eleitorado, sugerindo que a relação segue desgastada.

Pacote de bondades no Congresso e o foco na PEC 6×1

No Congresso, os pesquisadores registraram também as principais considerações sobre o fim da escala 6×1 e o pacote de bondades — pautas que preocupam pela possibilidade de uma escalada de projetos sem previsão de impacto fiscal, como a PEC do piso dos agentes comunitários de saúde e a dos médicos e cirurgiões-dentistas.

A única exceção é a proposta pelo fim da jornada de 44 horas semanais, que é vista como uma oportunidade para que Lula “reconecte” políticas sociais e qualidade de vida. No entanto, a percepção sobre os senadores permanece negativa. Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, não deve pautar o assunto antes das eleições.

O eleitor avalia que essa demora é de responsabilidade do senador e que, se o governo souber pressionar, poderá tirar a proposta do papel.

Siga O Brasilianista!