A governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão, tem liderado as pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano. Na disputa para se manter no Palácio do Buriti, Celina conta com o apoio da ex-primeira-dama e candidata ao Senado, Michelle Bolsonaro (PL), e da senadora Damares Alves (Republicanos).
Apesar da força eleitoral de Michelle e Damares, Celina Leão tem de tentar descolar sua imagem do ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB). Celina foi vice de Ibaneis e tem sido ligada ao Caso Master, porque seu antecessor é apontado nos bastidores como um dos facilitadores das fraudes cometidas por Daniel Vorcaro no Banco de Brasília (BRB).
Desde que assumiu o governo do DF, Celina Leão tem tentado se distanciar da crise e aparecer apenas para dizer que está enfrentando os problemas causados por Vorcaro e que está viabilizando uma saída para salvar o BRB. Esse esforço, segundo fontes da esquerda e da direita da política da capital federal, é proporcional ao risco que o Caso Master representa para sua candidatura.
Esses integrantes da política distrital afirmam que a exposição de eventuais ligações de Celina Leão com as fraudes do Banco Master pode drenar parte dos 32,4% dos eleitores que pretendem votar nela. O Caso Master tem muita força no DF porque um dos acionistas do BRB é o governo distrital, por meio do fundo previdenciário dos servidores distritais.
Fator Arruda
Outro fator que pode afetar a campanha de Celina Leão é a chapa comandada por José Roberto Arruda, ex-governador da capital federal que registra o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, com 24%. Juntos, Arruda e Celina dominam pouco mais de 56% dos votos válidos.
Porém, Arruda tem pendências com a Justiça que colocam sua candidatura em dúvida, por conta da Lei da Ficha Limpa. Arruda foi condenado em 2014 por improbidade administrativa, dano ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.
A inelegibilidade de Arruda é questionada por sua defesa com base em mudanças feitas na Lei da Ficha Limpa desde a condenação do político. Os advogados do ex-governador afirmam que os prazos devem ser contabilizados desde a primeira condenação, em junho de 2014, por 12 anos, no máximo, conforme determina a Lei Complementar 219/2025.
Essa interpretação garantiria a Arruda o fim da punição em junho deste ano. Mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) contesta essa argumentação, alegando que ela permitirá a anulação de diversas condenações posteriores.
A saída de Arruda abriria espaço para a esquerda, representada atualmente na disputa por Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB), que registram 9,8% e 4,3% das intenções de voto, respectivamente. Fontes desses partidos afirmam que essas duas candidaturas podem receber votos caso o ex-governador do DF deixe a disputa.
Caso Arruda consiga chegar ao segundo turno, ele deverá receber o apoio da maioria dos outros candidatos, principalmente após um primeiro turno em que todos os envolvidos na disputa pelo Buriti têm mirado nos erros e falhas de Celina Leão. Uma das candidatas mais cotadas a apoiar o ex-governador do DF é Paula Belmonte (PSDB), que também é cogitada para ser vice dele.

