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Justiça

As empresas vítimas do Banco Master

Além do BRB, outras companhias foram afetadas pela crise

As empresas vítimas do Banco Master

Banco Regional de Brasília (BRB) é uma das principais instituições que sofre com a crise do Banco Master, iniciada no final do ano passado. Ainda assim, outras companhias também foram atingidas pela fraude causada que gerou um rombo avaliado em pelo menos R$ 50 bilhões no Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Em certo desespero por ajuda, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai emprestar dinheiro para o BRB para melhorar seus indicadores financeiros após os impactos causados pelo caso Master. O rombo na instituição foi de ao menos R$ 12 bilhões pelo seu envolvimento com o banco do ex-controlador Daniel Vorcaro.

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A proposta aprovada prevê um empréstimo ao governo do DF de 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) apurada na forma estabelecida na Resolução n. 43/2001, do Senado Federal. O banco brasiliense buscou capitalizar R$ 6,6 bilhões e o apoio do FGC e também de outras instituições financeiras privadas.

A busca por recuperação de caixa no curto prazo começou após uma representação do Banco Central (BC) em julho de 2025 rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os motivos para a recusa, segundo o BC, eram o fluxo atípico de recursos transferidos pelo BRB ao Master nos primeiros meses de 2025, ultrapassando o limite de exposição da estatal.

O problema é que o BRB está com uma suposta falta de liquidez diária. O Brasilianista mostrou como um bloqueio de R$ 9 bilhões no Orçamento do governo do Distrito Federal (DF) e pagamentos em atraso reforçam a possibilidade de uma liquidação da estatal. Dessa forma, o BRB estaria operando sem dinheiro em caixa e com patrimônio negativo.

Quais foram as instituições liquidadas pelo Banco Central ligadas ao Master

Considerando a situação atual, são seis instituições do conglomerado Master que passaram por liquidação extrajudicial:

  • Banco Master S.A.
  • Banco Master de Investimento S.A.
  • Banco Letsbank S.A.
  • Master Corretora
  • Will Financeira
  • Banco Master Múltiplo S.A.

No entanto, nem todas as empresas que pertenciam ou eram controladas pelo Master foram liquidadas. Por exemplo, havia ativos e participações como Credcesta e Kovr, que poderiam ser vendidos durante o processo de liquidação, mas não foram automaticamente liquidados pelo BC.

Outras empresas como CBSF DTVM, Banco Pleno e Pleno DTVM também foram liquidadas, mas não faziam parte direta do conglomerado Master.

Entre as demais organizações financeiras impactadas pela crise do Master, estão 58 Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), somando cerca de R$ 3,9 bilhões em patrimônio líquido; o BRB, que tentou comprar o Master e agora enfrenta rombo bilionário; fundos de pensão, institutos de previdência e empresas que investiram acima de R$ 250 mil; e o próprio Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que terá de desembolsar mais de R$ 40 bilhões para pagar os credores.

Empresas ligadas ao “esquema” financeiro do Master

A crise do Master ultrapassa o setor financeiro e se aprofunda em um esquema mais complexo de crimes e até mesmo possível envolvimento com organizações criminosas, subornos à políticos e lobbys para sustentar a operação do banco durante tantos anos.

Algumas empresas envolvidas nessa investigação incluem:

  • Grupo Refit — refinaria investigada por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, com movimentações superiores a R$ 1 bilhão com o Master;
  • Reag Investimentos (depois CBSF DTVM) — gestora cuja liquidação pelo BC é vista como desdobramento direto do caso Master, administrava seis fundos que receberam dinheiro das operações do Master, com ativos declarados de R$ 102,4 bilhões;
  • Tirreno — empresa usada numa simulação de venda de carteira de crédito de R$ 6 bilhões que só existia no papel;
  • Banco Múltipla — banco comprado por Vorcaro em 2018, ligado a operação suspeita com clínica médica de fachada;
  • Clínica médica de Contagem (MG) — empresa de fachada que emitiu R$ 361 milhões em títulos comprados por fundo cujo único cotista era o Master;
  • GSR Fundo de Investimento / Fundo Astralo 95 — usados para transferir cerca de R$ 700 milhões em ativos do Master para uma offshore nas Ilhas Cayman;
  • SAF do Atlético Mineiro (Galo Forte FIP) — fundo que comprou 20% da SAF do Atlético-MG por R$ 300 milhões, com participação de Vorcaro sob investigação.

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