O uso das redes sociais entre os jovens está cada vez mais sendo restringido ao redor do mundo, visto os riscos dessas plataformas digitais no desenvolvimento e proteção das crianças e adolescentes.
Legisladores de diversos países estão buscando formas de regulamentar a responsabilidade das mídias sociais na população e especialmente nas crianças, que acabam sendo as mais vulneráveis. Propostas políticas da Espanha, Grécia, Ruanda, Vietnã, Austrália, Reino Unido, Brasil e até mesmo em alguns estados dos Estados Unidos já mostram essa tentativa.
A ideia ganhou força política por combinar a proteção das crianças com a insatisfação crescente em relação às Big Techs. O governo do Reino Unido, por exemplo, anunciou que deve proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais a partir de 2027.
Por outro lado, poucos meses após a proibição semelhante na Austrália, aumentaram as dúvidas sobre a eficácia e os efeitos colaterais de uma proibição mais ampla.
A resistência das políticas contra o uso de redes sociais
No dia 10 de dezembro de 2025, os menores australianos não poderiam mais manter ou criar contas em aplicativos de redes sociais como TikTok, Instagram, YouTube, Snapchat, X e Facebook.
Reportagem do POLITICO mostrou, no entanto, que oito em cada dez usuários menores de 16 anos na Austrália seguem utilizando as redes sociais apesar da proibição, o que gerou questionamentos sobre a eficiência da medida. Além disso, surge a preocupação de que os menores podem migrar para espaços online menos seguros.
O questionamento é de se não haveria uma maneira mais inteligente de proteger as crianças online do que forçá-las a sair da internet, visto que as proibições são cada vez mais “difíceis de impor”.
No Brasil, a opção foi manter o acesso, mas exigir que as plataformas reduzam riscos e ofereçam mecanismos de proteção. O Instagram, por exemplo, já oferece as contas de adolescente, em que os menores podem ter suas contas acessadas pelos responsáveis.
Problema econômico da proibição
Embora o objetivo central seja reduzir riscos relacionados à saúde mental, exposição a conteúdos inadequados e uso excessivo de telas, especialista entrevistado por O Brasilianista avaliou que a iniciativa também pode alterar a dinâmica econômica de um mercado que movimenta bilhões de dólares por ano.
Esse é um fator que atinge diretamente a capacidade das plataformas de atrair usuários desde cedo e construir relacionamentos de longo prazo com suas audiências.
Ricardo Alves, sócio e líder de Inovação do escritório Fragata e Antunes Advogados, indicou que o impacto financeiro da medida não deve ser analisado apenas pela eventual perda de receita gerada por usuários adolescentes.
“O impacto não se mede só pela receita publicitária imediata de menores de 16 anos. As plataformas monetizam atenção recorrente, dados comportamentais e permanência do usuário”, afirmou.
Para ele, essa restrição afeta um processo considerado estratégico para empresas digitais, visto que afeta a formação de audiência, o histórico de comportamento e a construção de comunidades e influenciadores.
A consequência é que plataformas como TikTok, Instagram, Snapchat e YouTube podem encontrar mais dificuldades para consolidar novas gerações de usuários, reduzindo sua capacidade de fidelização ao longo do tempo.
Quase 6 em cada 10 americanos apoiam a proibição das redes sociais para menores de 16 anos
Uma nova pesquisa do Pew Research Center revelou que quase 6 em cada 10 adultos nos EUA apoiam proibir menores de 16 anos de usar redes sociais. O apoio é maior entre adultos de 30 a 49 anos e entre pais de menores de 18 anos, e supera a oposição em diferentes grupos demográficos e partidários.
Além disso, 85% dos entrevistados apoiam exigir autorização dos pais, 78% defendem verificação de idade e 78% apoiam limites de tempo para menores nas plataformas.
A maioria dos grupos demográficos e partidários apoia todas as três políticas voltadas para o uso de mídias sociais por menores de idade: consentimento dos pais, verificação de idade e limites de tempo. No entanto, o apoio é menor entre os adultos mais jovens.
Por exemplo, dois terços dos adultos com menos de 30 anos apoiam que as redes sociais exijam que as pessoas verifiquem sua idade.

