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Garcia e Tarcísio oficializam candidaturas e esboçam estratégias – Por Carlos Eduardo Borenstein

Discurso de Garcia se afasta da polarização e o de Tarcísio acena ao bolsonarismo, avalia Borenstein. Confira a análise

Os dois principais nomes que disputam uma vaga no segundo turno contra o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) – o governador Rodrigo Garcia (PSDB) e o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) oficializaram suas candidaturas nesse final de semana.

Durante o anúncio de sua candidatura, ficou nítida a estratégia de Rodrigo Garcia em se apresentar como um candidato dissociado da polarização nacional entre o ex-presidente Lula (PT), que apoia Fernando Haddad, e o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), que representa o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Numa referência a Haddad, Garcia declarou que o ex-prefeito “tomou um cartão vermelho e voltou para casa” ao tentar se reeleger prefeito da capital paulista nas eleições de 2016. Segundo o governador, Haddad fez “uma das piores gestões” da cidade. E afirmou que seu adversário “teve a proeza de aumentar a fila da creche”.

Em relação a Tarcísio de Freitas, Rodrigo Garcia afirmou que “não vamos permitir que façam São Paulo parquinho de candidato à Presidência da República”. Acusando Haddad e Tarcísio, o governador disse que seus adversários “querem dividir o Estado de São Paulo”, numa referência a nacionalização da campanha estadual pretendida pelos candidatos do PT e Republicanos.

Os presidentes nacionais do MDB, Baleia Rossi; do União Brasil, Antônio Rueda; e do Podemos, Renata Abreu; que apoiam Rodrigo Garcia, participaram da convenção. O vice de Garcia ainda não foi escolhido.

Chamou atenção na convenção do PSDB a ausência do ex-governador João Doria, em mais um sinal que Garcia buscará se desassociar de Doria. O evento também foi marcado pelo ex-prefeito Bruno Covas (PSDB), falecido em 2021. Num aceno aos chamados tucanos históricos, o filho de Covas, Tomaz, teve destaque.

O jingle de Rodrigo Garcia, tocado na convenção, sintetiza a estratégia de se posicionar como uma candidatura afastada da polarização nacional. Frases como “não é direita nem esquerda, é pra frente que eu vou” e “filho de São Paulo”, em recado a Tarcísio, que é carioca, fazem parte do jingle.

O ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua vez, também teve sua candidatura a governador oficializada na convenção de seu partido.

Tarcísio buscou se posicionar como um candidato associado ao bolsonarismo e representante de um novo ciclo de São Paulo. “Hoje é um dia que marca o fim de um ciclo. De um ciclo de um partido que está há 28 anos no poder”, afirmou.

Numa crítica ao PSDB e indicando que buscará um confronto com Rodrigo Garcia, Tarcísio de Freitas disse ainda que “um partido que criou raízes profundas e hoje impede o estado de andar. Que perdeu a sensibilidade, deixou de olhar para as pessoas e não compreende mais o que o cidadão precisa”.

De olho no voto bolsonarista, declarou que Jair Bolsonaro “é uma pessoa que mudou a minha vida, que abriu portas que eu não imaginava que seriam abertas”.

A convenção que oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas teve a participação do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama, Michele Bolsonaro. Também participaram o ex-deputado Eduardo Cunha (PTB-SP) e a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Além do Republicanos e PTB, Tarcísio tem o apoio do PSD, que indicou o ex-prefeito de São José dos Campos (SP) Felicio Ramuth como vice. O candidato ao Senado ainda está indefinido.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".