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A redução de 3,88% no preço da gasolina vendida pelas refinarias da Petrobras a partir desta sexta-feira (29), a segunda baixa em menos de duas semanas, levou economistas a refazerem cálculos sobre projeções de inflação neste ano. 

Os cálculos reforçam a expectativa de IPCA negativo em agosto, configurando deflação, isso em meio à campanha eleitoral. A inflação é um dos principais obstáculos identificados pela equipe que trabalha na reeleição do presidente Jair Bolsonaro para ele avançar nas pesquisas.

Nos últimos meses, Bolsonaro vem pressionando a empresa a evitar reajustes dos derivados, que minam sua popularidade. Trocou o comando da estatal, enquanto o Congresso aprovou projetos para desonerar combustíveis e contornar regras fiscais e eleitorais para conceder novos benefícios, como um auxílio amenizar o custo dos combustíveis para caminhoneiros e taxistas.

Na quarta-feira (27), a Petrobras definiu que o seu Conselho de Administração, onde o governo tem maioria, vai “supervisionar” decisões de reajustes tomadas pela diretoria da empresa.

Para analistas, o alívio no preço do combustível nas refinarias, que deve chegar às bombas dos postos, não terá efeito sobre o IPCA de julho – a coleta de preços da pesquisa realizada pelo IBGE encerrou-se ontem quinta-feira (28).

Mas a redução deve ter impacto no IPCA de agosto, quando também serão sentidos os efeitos residuais do reajuste anterior de 4,9%, concedido no dia 19 de julho.

Dividendo recorde

A Petrobras informou que vai distribuir R$ 87,8 bilhões em dividendos a seus acionistas referentes aos resultados financeiros do segundo trimestre. O valor é recorde para um trimestre, de acordo com a estatal. 

Desse total, R$ 32,1 bilhões ficarão com a União. A Petrobras está entre as companhias estatais às quais o governo solicitou alteração no repasse de dividendos para fazer frente aos gastos com a PEC Eleitoral aprovada no Congresso. 

Caixa e BNDES também devem atender pedido do governo e ampliar distribuição de dividendos. No primeiro trimestre, a Petrobras já havia distribuído R$ 48,5 bilhões em dividendos a seus acionistas 

Com isso, o total distribuído a todos chegou a R$ 136,3 bilhões no primeiro semestre. A União soma R$ 49,8 bilhões de dividendos recebidos da estatal nos primeiros seis meses deste ano. Os dividendos do segundo trimestre serão pagos em duas parcelas iguais nos meses de agosto e setembro, informou a companhia em comunicado enviado ontem à tarde à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

A Petrobras lembrou também que não existem investimentos represados por restrição financeira ou orçamentária e a decisão de uso dos recursos excedentes para remunerar os acionistas se apresenta como a de maior eficiência para otimização da alocação do caixa.

Autor

  • Jornalista, formado pela UFMG, em 1973. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda e sub-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (1994 a 2003) e integrante da Assessoria Parlamentar da ANTT (2015-2021).