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Conselho da Petrobras vai decidir sobre preços dos combustíveis

Colegiado tem maioria do governo. Para líder dos caminhoneiros, decisão não muda nada na política de preços

Bomba de combustível. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

A Petrobras anunciou ontem, quarta-feira (27) que o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal vão “supervisionar” as decisões sobre reajustes de gasolina, diesel e outros combustíveis. Na prática, o conselho, que tem a maioria dos integrantes indicada pelo governo, vai participar das decisões sobre aumentos ou quedas nos preços dos derivados.

Atualmente, essa atribuição compete ao presidente da empresa, acompanhado pelos diretores Financeiro e de Abastecimento, tomando como base os parâmetros da política de preços da Petrobras, como o comportamento do dólar e do barril do petróleo no mercado internacional.

Na avaliação de analistas, o novo modelo aumenta o risco de interferência política na companhia. A nova sistemática foi anunciada no momento em que o governo intensifica a pressão para que a Petrobras reduza o valor do diesel. O preço dos combustíveis é considerado fator crucial para a campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Já um funcionário com assento no alto comando da empresa, a medida busca ampliar a blindagem contra futuras ingerências políticas.

No comunicado que divulgou ao mercado, a Petrobras informou que “os procedimentos relacionados à execução da política de preço, tais como periodicidade dos ajustes dos preços dos produtos, os percentuais e valores de tais ajustes, a conveniência e oportunidade em relação à decisão dos ajustes dos preços permanecem sob a competência da diretoria executiva”.

Afirma também que a nova diretriz “não implica mudança das atuais políticas de preço no mercado interno, alinhadas aos preços internacionais, e tampouco no Estatuto Social da companhia”.

A Diretriz de Formação de Preços de Derivados e Gás Natural no Mercado Interno, que foi aprovada, estará no site da empresa. Com isso, o público externo passará a ter acesso aos procedimentos que, antes, eram informais.

Para um dos líderes dos caminhoneiros, Wallace Landim, conhecido como Chorão, “a reunião do conselho da Petrobras não muda em nada a política de preços da companhia, pelo contrário, só reforça que a diretoria executiva cumpra o PPI, o mercado está contente, as ações subiram”, afirmou em nota.

Autor

  • Jornalista, formado pela UFMG, em 1973. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda e sub-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (1994 a 2003) e integrante da Assessoria Parlamentar da ANTT (2015-2021).