A prévia da inflação deste mês mostrou desaceleração expressiva, refletindo a queda dos preços de combustíveis e energia elétrica. Mas, preços de alimentação no domicílio e serviços ainda tiveram altas expressivas. 

A prévia da inflação oficial subiu 0,13%, bem abaixo do 0,69% do mês anterior. Entre as boas notícias, as pressões inflacionárias se mostraram um pouco menos disseminadas e as cotações dos bens industriais mostraram um comportamento mais benigno. 

No entanto, o forte avanço dos preços dos alimentos que, em especial, afeta o bolso dos mais pobres, tende a relativizar o impacto favorável da queda de combustíveis e da conta de energia sobre a percepção dos eleitores. 

Inflação alta, principalmente a comida cara, é um dos fatores que derrubam a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Em 12 meses, a variação do IPCA-15 passou de 12,04% para 11,39%.

O índice de difusão, que mostra o percentual de itens em alta no mês, ficou em 67,85% no IPCA-15 de julho, abaixo dos 68,94% de junho, mas ainda acima dos 62,4% de julho do ano passado.

A média dos cinco núcleos mais acompanhados pelo Banco Central passou de 0,89% no índice de junho para 0,72% no deste mês. Apesar da desaceleração, a variação foi elevada. Em 12 meses, a média desses cinco núcleos, que buscam eliminar ou reduzir a influência dos itens mais voláteis, subiu de 10,43% para 10,56%, muito acima das metas da inflação fixadas pelo Banco Central para este ano (3,5%) e para o próximo (3,25%).

A inflação mais baixa reflete em grande parte a mudança na tributação de combustíveis, energia elétrica e comunicação, como destaca a LCA Consultores. O Congresso definiu um limite para a cobrança pelos estados do ICMS sobre esses itens, o que derrubou os preços. 

Nesse cenário, as cotações dos combustíveis caíram 4,88%, enquanto as de energia elétrica recuaram 4,61%. Com isso, os grupos de transportes e habitação tiraram 0,36 ponto percentual do IPCA-15 de julho.

A inflação de bens industriais também contribuiu para um comportamento mais favorável do indicador deste mês. O grupo, que tinha avançado 0,65% em junho, subiu 0,28% em julho. Em 12 meses, ficou em 13,49%, um pouco abaixo dos 13,95% de junho.

Autor

  • Jornalista, formado pela UFMG, em 1973. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda e sub-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (1994 a 2003) e integrante da Assessoria Parlamentar da ANTT (2015-2021).