O papel que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB-SP) terá na campanha do ex-presidente Lula (PT) começou a aparecer. Num aceno ao centro, Alckmin se reuniu com o ex-presidente Michel Temer (MDB). O objetivo foi conter o impacto negativo das críticas que Lula tem feito à reforma trabalhista, uma das principais conquistas da gestão Temer. Embora o apoio de Temer a Lula seja improvável, o movimento de Alckmin passa uma mensagem de busca de diálogo para além da esquerda. Temer, além de seu prestígio junto a Faria Lima, transita com facilidade em setores do centro, os quais Lula pretende atrair.

Alckmin também tem se destacado na tentativa de aproximação dos empresários. Nas conversas com representantes do PIB nacional, Lula tem sinalizado que Alckmin terá um papel de destaque num eventual governo petista. Nesses encontros, tem sido dito, por exemplo, que, caso a chapa vença as eleições, “não teríamos um governo Lula, mas sim um governo Lula-Alckmin”. Lula também afirmou aos empresários que “nunca rasgou um contrato”.

Lula e Alckmin têm mostrado aos empresários sua preocupação com o desemprego e a fome, além de revelar o desejo de atrair o capital externo, baixar o dólar e controlar a inflação. Os encontros com representantes dos empresários e do setor financeiro significam um avanço importante na campanha de Lula, que, até então, priorizava contatos com os segmentos de esquerda. No entanto, apenas isso não deve ser suficiente para amenizar dúvidas sobre como se comportaria um eventual governo Lula na economia.

Nesse sentido, o protagonismo que Alckmin começa a registrar pode contribuir. Ainda que o programa econômico de Lula-Alckmin gere questionamentos entre os empresários, é importante frisar que Lula, mesmo sendo um líder de base popular, não possui uma formação clássica de esquerda.

Assim, ainda que Lula acene para a esquerda ortodoxa em seus discursos públicos, conforme fez, por exemplo, na entrevista concedida à Rádio Metrópole, de Salvador, na última sexta-feira (1º), quando criticou a falta de preocupação com as questões sociais por parte dos empresários e do mercado, o ex-presidente tem um perfil negociador desde a época em que era sindicalista. Portanto, pode-se aguardar um Lula mais pragmático que ideológico, sobretudo a partir do aumento da influência de Alckmin na campanha.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".

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Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".