O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) avaliou que a prisão do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, investigado por suposto esquema de corrupção na pasta, não terá grande repercussão na campanha de Lula para a corrida ao Planalto.

“Não vamos fugir de nenhum assunto, mas o tema central da campanha de Lula será a fome, o desemprego, o sofrimento do povo brasileiro. E como reverter isso”, afirmou ao Brasilianista.

Coordenador da campanha e autor do requerimento que pediu a abertura da CPI do Ministério da Educação (MEC), Randolfe disse que existe a possibilidade de deixar o posto para focar nos trabalhos da comissão.

“Se houver pedidos para que eu privilegie minha função de senador, eu deixo a campanha e fico na CPI. Mas meu desejo pessoal é continuar na campanha de Lula. Porém, se os colegas disserem que eu preciso estar na CPI para que haja CPI, então terei que deixar a campanha.”

Leia a entrevista completa:

A prisão do ex-ministro Milton Ribeiro deve ser usada eleitoralmente pelo ex-presidente Lula?
Então, nós não vamos trabalhar com os erros do adversário. Nós temos que trabalhar com o talento do time. O time que joga esperando o erro do adversário ou que aposta na incompetência do adversário não tem muita vocação para o sucesso. São os fatos que mostram o cenário que nós estamos e que revelam que as pessoas estão apontando a necessidade de mudança. Não vamos fugir de nenhum assunto, mas o tema central da campanha de Lula será a fome, o desemprego, o sofrimento do povo brasileiro. E como reverter isso. Se eles quiserem debater corrupção, nós estamos à disposição para debater e temos vários fatos para citar. Será difícil que o discurso de combate à corrupção de Bolsonaro se mantenha de pé, diante de tantos fatos e de tantas circunstâncias.

O governo tenta criar uma CPI para investigar os governos do PT. Essa “guerra de CPIs” não pode tirar a atenção do tema? Como será o funcionamento da Comissão?
Teremos CPIs fakes e uma CPI real. Tenho certeza de que a imprensa vai saber filtrar e dar atenção para a real, não para as fakes. O objetivo da CPI será dar retaguarda e apoio político que a parte jurídica e institucional – polícia, CGU – não tem, por estarem sob pressão no governo Bolsonaro, onde as instituições estão sempre pressionadas. Ter uma CPI é bom para dar a essa área a tranquilidade necessária.

Como o senhor pretende conciliar a campanha de Lula com a CPI?
Se houver pedidos para que eu privilegie minha função de senador, eu deixo a campanha e fico na CPI. Mas meu desejo pessoal é continuar na campanha de Lula. Porém, se os colegas disserem que eu preciso estar na CPI para que haja CPI, então terei que deixar a campanha.

Autor

  • Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB). Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. No site O Brasilianista cobre economia e política.