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Aceno ao PT ao centro virá, cedo ou tarde – Por Cristiano Noronha

Único movimento executado por Lula foi o convite feito ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin e o ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Há muitos questionamentos sobre qual Lula (PT) assumirá a cadeira de presidente da República em 2023, caso vença o pleito de outubro. Se o Lula de 2002, que fez aceno ao centro, ou se o Lula mais à esquerda, mais próximo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Até o momento, o único movimento mais ao centro executado pelo ex-presidente foi o convite feito ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB para se filiar ao PSB e concorrer como seu vice.

O discurso de Lula, de rever a privatização da Eletrobras e de revogar o teto de gastos e a Reforma Trabalhista, aprovada na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), tem gerado preocupações no mercado.

Parte das propostas apresentadas como minuta do que seria o programa de governo petista está sendo criticada até mesmo por aliados. O Solidariedade, por exemplo, é contra a revogação da Trabalhista. Embora defenda alguns ajustes, não concorda com sua revogação.

A chapa do ex-presidente é formada, além do PT, por PSB, PCdoB, PV, Rede, PSOL e Solidariedade. Juntos, esses partidos hoje contam com 103 representantes na Câmara (20%) e oito no Senado (10%).

Ainda que, eventualmente, essas legendas possam aumentar a participação de Lula nas eleições de outubro, o ex-presidente teria de atrair outros partidos para a sua base, caso queira construir uma maioria no Congresso Nacional. E não há sinais de que os partidos que hoje apoiam Lula apresentarão um crescimento muito expressivo nestas eleições.

Em outras palavras, Lula, para garantir governabilidade, teria de atrair siglas de centro e de centro-direita para a sua base. Mesmo que essas legendas tenham cargos em um eventual mandato de Lula, isso não significa que elas apoiarão todas as propostas contidas no programa de governo do PT.

Se o ex-presidente Lula hoje não faz acenos ao centro, certamente terá de fazê-lo mais à frente, em caso de vitória. Não apenas abrindo espaço na equipe ministerial, mas também fazendo concessões a determinadas políticas públicas.

Autor

  • Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.