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Ocorrida na manhã desta segunda-feira (20), a primeira reunião da Comissão Externa Temporária, criada para investigar as mortes do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo, aprovou o requerimento para ouvir o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. A oitiva já foi marcada para 14h desta quarta-feira (22) e será feita em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos (CDH).

No encontro foi aprovado o plano de trabalho, que prevê investigar também o aumento dos casos de violência na Amazônia e omissões na proteção de ativistas ambientais. Para isso, será fundamental o trabalho em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos (CDH).

Também na quarta, às 10h, a comissão pretende ouvir representantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Na reunião de hoje foram eleitos o presidente e o relator da comissão. Autor do requerimento de criação, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi indicado presidente do colegiado. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) é o vice-presidente e Nelsinho Trad (PSD-MS), relator.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Humberto Costa (PT-PE), disse que a situação é complexa, e a comissão estará à disposição para ajudar no que for preciso para garantir a transparência às investigações em curso da polícia.

“Além da gravidade da morte de duas pessoas, que comoveram o Brasil e o mundo, há a constatação de que aquela região do Brasil é uma área praticamente sem lei, dominada pelo narcotráfico transnacional”.

Cabe aos senadores, acrescentou, apurar “também denúncias de que outras atividades são financiadas pelo narcotráfico com o objetivo de disfarçar e ter ao lado pescadores ilegais e garimpeiros”.

Além do ministro da Justiça, Anderson Torres, os senadores aprovaram mais cinco requerimentos:

  • Convite ao prefeito de Atalaia do Norte (AM), Denis Paiva, para prestar as informações que considere relevantes relacionadas ao aumento da criminalidade e de atentados contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e jornalistas.
  • Realização de diligência externa em Manaus e em Atalaia do Norte, com o objetivo de investigar as causas do aumento da criminalidade e de atentados contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e jornalistas na Região Norte e em outros estados, além de acompanhar as investigações sobre os homicídios do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.
  • Pedido de garantia de proteção e segurança a integrantes de entidades e servidores que atuam na terra indígena Vale do Javari.
  • Audiência pública para debater as causas do aumento da criminalidade e de atentados na região Norte.

A Polícia Federal deve concluir nesta semana os exames de DNA dos corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Até agora, os exames de impressões digitais e de análise da arcada dentária atestaram que os restos mortais são realmente dos dois, encontrados na semana passada na região do Vale do Javari, no Amazonas.

A conclusão dos exames de DNA libera os corpos para as famílias, além de dar mais pistas para a investigação. A Polícia Federal deve se debruçar sobre um ponto ainda está em aberto: a real motivação dos assassinatos.

A expectativa da família do indigenista Bruno Pereira é de que ele seja velado em Recife (PE), sua terra natal, a depender da liberação do corpo pela Polícia Federal.

Autor

  • Jornalista, formado pela UFMG, em 1973. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda e sub-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (1994 a 2003) e integrante da Assessoria Parlamentar da ANTT (2015-2021).