Geraldo Falcão/ Agência Petrobras

Uma possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras acalorou debates na Congresso na tarde desta segunda-feira (20). O assunto é discutido durante reunião de líderes, que ocorre neste momento na Residência Oficial da Câmara.

 A medida, no entanto, é considerada eleitoreira por deputados ouvidos pelo Brasilianista, que reconhecem no gesto do presidente Jair Bolsonaro (PL), ao defender a CPI, uma tentativa de terceirizar a responsabilidade do problema relacionado aos preços dos combustíveis no país. A Comissão, tradicionalmente um instrumento de minorias como instrumento de investigação para desgastar o governo, é vista até entre líderes da oposição como uma possibilidade pouco viável, sobretudo por causa da proximidade das eleições. 

O líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG), classificou a ideia como “absurda”. O deputado afirma que o governo federal precisa estabelecer nova política de preços e acabar com a dolarização, o que, segundo ele, teria efeitos mais concretos sobre o problema. 

A mesma ideia é compartilhada pela bancada do PSB que não acredita que essas visões irão prosperar entre a maioria. Bira do Pindaré (MA), líder do partido na Casa, afirma que é uma possibilidade “difícil de apoiar”. ”O governo quer que a gente apoie a PEC dos Combustíveis sem dar espaço para uma discussão mais aprofundada e não faremos isso”, declarou. Por outro lado, Bira garantiu que apoiaria a instalação de uma CPI, mas duvida que a ideia avance.

Em mensagem enviada a lideranças partidárias, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) pediu que os parlamentares orientem as suas bancadas que não assinem nenhum requerimento para instalação de CPI. Ele pede que os deputados aguardem o saldo da reunião em curso para, se for o caso, apoiar a instalação do colegiado somente após o encontro. Barros tomou a iniciativa já que o deputado Luís Miranda (Republicanos-DF) apresentou requerimento e passou a liderar uma possível criação da CPI. 

Há uma avaliação, no entanto, de que o pedido de demissão de José Mauro Coelho da presidência da Petrobras possa arrefecer a ideia. O objetivo do governo, no momento, é nomear para a cadeira Caio Paes de Andrade e ainda substituir o conselho de administração da Petrobras.

Autores

  • Editora-chefe na Arko Advice, desde fevereiro de 2022. Antes, atuou como repórter de política na CNN Brasil. Foi correspondente internacional em Nova Iorque pela Record TV. Atua em redação há 18 anos.

  • Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB). Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. No site O Brasilianista cobre economia e política.