Da esquerda para a direita: Bruno Araújo (presidente nacional do PSDB), João Doria (governador de São Paulo e pré-candidato pelo PSDB), Simone Tebet (senadora e pré-candidata pelo MDB) e Baleia Rossi (deputado e presidente do MDB). Foto: PSDB/Divulgação

Após meses de negociação em prol da chamada “terceira via”, na quinta-feira (09) a executiva nacional do PSDB decidiu que o partido apoiará a senadora Simone Tebet, do MDB, na disputa sucessória. Não sem protestos. O deputado Aécio Neves, por exemplo, que defende uma candidatura tucana à Presidência, saiu
mais cedo da reunião e lembrou: decisão mesmo só no fim de julho, na convenção partidária. Ele aposta na longa lista de equações regionais que os dois partidos ainda terão de decodificar país afora.

A definição da candidatura do grupo no Rio Grande do Sul, que chegou a atrasar o anúncio da união em nível nacional, segue sem definição clara. Da mesma forma que é novidade para o PSDB ir a uma eleição presidencial sem candidato da legenda, é novidade para o MDB não lançar um nome para concorrer ao
Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Ainda que o entendimento da cúpula do grupo seja pela candidatura tucana no estado, localmente ainda se fala tanto na pré-candidatura de Gabriel Souza (MDB)quanto na de Eduardo Leite (PSDB).

Em Pernambuco, o MDB continua sem mostrar sinais de que vai recuar do apoio a Danilo Cabral (PSB), mesmo o PSDB tendo Raquel Lyra como candidata ao governo estadual. Em Mato Grosso do Sul, estado de Simone Tebet, o diretório local do MDB também demonstra resistência a apoiar o arranjo federal. O pré candidato tucano, Eduardo Riedel, indica que prefere estar ao lado de Bolsonaro a caminhar com o MDB.

Existem também as pressões externas ao grupo. Após a decisão do PSDB, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disparou ameaças que miram um dos maiores objetivos tucanos em 2022: manter o domínio do governo de São Paulo. Lira disse que se o PSDB abandonar o candidato do União Brasil
(aliado local do PP) em Alagoas (terra de Lira) o troco será a retirada do apoio do PP à candidatura de Rodrigo Garcia (DEM), que tenta a reeleição no governo de São Paulo. O receio de Lira é de que a união entre o PSDB e o MDB acabe resultando na exclusão de sua prima Jó Pereira (PSDB) da chapa formada com o União Brasil, que tem Rodrigo Cunha como candidato.

Autor

  • Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB). Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. No site O Brasilianista cobre economia e política.