Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O MDB e o Cidadania confirmaram apoio à candidatura à Presidência da senadora Simone Tebet (MDB) na semana passada. Nesta semana, o PSDB pode fazer o mesmo. Quais os desafios nesse campo? Muitos.

Em primeiro lugar, o grupo ainda carece de unidade. Parte do MDB apoia abertamente o ex-presidente Lula (PT) e outra parte o presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente do PSDB, Bruno Araújo, admitiu que a maioria da legenda prefere uma candidatura própria.

Em segundo lugar, o histórico de desempenho do MDB em disputas presidenciais não é dos melhores. O partido concorreu como cabeça de chapa em três situações desde a redemocratização. Em 1989, com o deputado Ulysses Guimarães, o “Senhor Diretas”, a sigla obteve 4,73% dos votos válidos. Em 1994, com o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, registrou 4,38%. Em 2018, com Henrique Meirelles, presidente do Banco Central na era Lula e ministro da Fazenda na gestão Temer, o partido só conseguiu 1,20%.

PSDB e MDB fizeram aliança em 2002 e, apesar de irem para o segundo turno, não venceram. E foram para o segundo turno porque os dois partidos tinham um peso político muito maior do que têm hoje. De lá para cá, as duas siglas perderam espaço.

Outra questão que merece ser levada em consideração é que, mesmo sendo mulher, não necessariamente Simone Tebet terá apoio expressivo das mulheres. Quando olhamos o percentual de mulheres que avaliam o governo Bolsonaro como “ótimo” ou “bom”, de acordo com a pesquisa ModalMais (16 a 19/05), esse índice totaliza algo em torno de 26%.

Já o percentual de mulheres que votam no ex-presidente Lula na votação espontânea gira em torno de 40%. Pode-se inferir que esses índices estão consolidados e dificilmente mudarão. Ou seja, 66% do eleitorado feminino já fez sua escolha. Restam 34%. Mesmo que 100% das mulheres migrem para Simone Tebet, isso representaria 17% do eleitorado total. Não seria suficiente para quebrar a polarização entre Lula e Bolsonaro.

Por fim, vale ressaltar que a terceira via ainda busca um discurso convincente. Temos uma campanha curta e a terceira via perdeu tempo demais, além de se desgastar muito internamente. No final de junho, o MDB terá direito a algumas inserções. Pode ser uma chance de emplacar uma narrativa mais sedutora.