Foto: Vanessa Sardinha dos Santos/Divulgação

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, incluiu 19 projetos que usarão resíduos sólidos urbanos (RSU) no leilão de contratação de energia, a ser realizado em 16 de setembro, quando será contratada energia para início de geração em até cinco e seis anos (Leilões A-5 e A-6).

O certame é visto como uma oportunidade para o destravamento do uso de resíduos urbanos como fonte geradora de energia elétrica. Segundo a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), atualmente o Brasil produz mais de 80 milhões de toneladas de resíduos que vão parar em aterros e lixões, sem destinação adequada, mas que poderiam se transformar em fonte geradora de energia.

Com o leilão, essa realidade pode começar a ser alterada. Dados da Abren mostram que o setor tem condições de viabilizar pelo menos três novas unidades de recuperação energética, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Existem hoje no mundo 2 mil usinas (waste-to-energy/WTE) que utilizam o lixo urbano como fonte de energia elétrica.

Já no Brasil, não há nenhuma unidade de tratamento térmico de resíduos em operação. Existem usinas de biogás de aterro sanitário com capacidade de geração de aproximadamente 350 MW, e menos de 5 MW de usinas de biodigestão anaeróbia que usam a fração orgânica do lixo urbano e o lodo de esgoto.

O presidente da Abren, Yuri Schmitke, avalia que o segmento será competitivo para ocupar espaço na matriz elétrica nacional, além de destravar investimentos. “São esperados recursos da ordem de R$ 5,2 bilhões (Capex) para 131 MW de potência instalada”, disse.

As usinas de energia do lixo são termelétricas com 93% de fator de capacidade que operam 24 horas por dia nos sete dias por semana, parando apenas uma semana por ano para manutenção. Segundo Schmitke, elas são instaladas na rede de distribuição no centro de carga e são consideradas as térmicas mais limpas atualmente.

A força dos ventos

O Brasil subiu para a sexta posição na capacidade de energia eólica, conforme o Ranking de Capacidade Total Instalada de Energia Eólica Onshore, organizado pelo Global Wind Energy Council (GWEC). O dado consta de relatório da instituição, conforme informações da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

O Brasil ocupava o 15º lugar em 2012. De acordo o GWEC, o país registrou em 2020 21,5 gigawatss (GW) de capacidade de energia eólica, superando China, Estados Unidos, Alemanha e Índia. E, em 2021, houve aumento de 93,6 GW, levando a capacidade total acumulada para 37 GW, o que representou um crescimento de 12% ao ano. Ainda em 2021, o Brasil bateu recorde de expansão da capacidade instalada de energia elétrica a partir de fonte eólica, ao atingir 3.051,29 MW.

A perspectiva é de mais expansão para o setor. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), existem cerca de 5,5 GW de usinas eólicas em construção no país. A estimativa é de que 2,95 GW entrarão em operação este ano, valor equivalente ao obtido em 2021.