João Doria durante pronunciamento que oficializa sua desistência pela corrida presidencial nas eleições deste ano. Foto: Reprodução

O anúncio oficial por parte das executivas nacionais do PSDB, do MDB e do Cidadania do nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como a pré-candidata da chamada “terceira via” ao Palácio do Planalto praticamente encerra o protagonismo do PSDB em eleições presidenciais. Ao menos por enquanto.

Os tucanos estão sem rumo desde que o partido foi removido pelo bolsonarismo da posição de principal antagonista do PT em eleições presidenciais – de 1994 a 2014, o PSDB ocupou essa posição no tabuleiro sucessório. Conforme podemos observar na tabela a seguir, o ex-governador de São Paulo João Doria, atual candidato do partido à Presidência, teria hoje o mesmo percentual de votos válidos do ex-governador Geraldo Alckmin, que disputou o Planalto pelo PSDB em 2018 e agora vai concorrer pelo PSB como vice do ex-presidente Lula (PT).

Praticamente todo o eleitorado que de 1994 a 2014 votava no PSDB em eleições presidenciais foi perdido para o presidente Jair Bolsonaro (PL). Com a provável decisão do PSDB de não lançar candidatura própria ao Planalto este ano – o que, se ocorrer, será a primeira vez desde que o partido foi fundado, em 1988 –, os tucanos acabam reconhecendo que o ciclo político de 1994 a 2014, em que polarizavam a política nacional do PT, parece ter chegado ao fim. Com a ascensão do bolsonarismo, o ninho tucano, apesar de ter tentado se reposicionar ao centro, ficou sem espaço.

Ao que tudo indica, teremos em outubro a reprodução do enfrentamento do bolsonarismo contra o PT/lulismo de 2018. Esse debate guarda semelhanças com as eleições presidenciais de 1989, quando o polo da direita foi ocupado por Fernando Collor (PRN), que acabou derrotando Lula naquele pleito. Posteriormente, muito por conta do impeachment de Collor, em 1992, a direita passou a ser coadjuvante, compondo com o PSDB para enfrentar o PT, sobretudo nos dois governos FHC. E desde 2018, com o enfraquecimento do PSDB como partido nacional, a direita ressurgiu com Bolsonaro.

Seria, então, o fim do PSDB? Seria precipitado fazer essa afirmativa. Fato é, contudo, que a crise interna no partido sugere que os tucanos perderam o protagonismo que dispunham de 1994 a 2014.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".