João Doria e Simone Tebet disputam internamente para concorrer à presidência no pleito de outubro deste ano. Foto: Flickr Governo SP; Pedro França/Agência Senado

O MDB aguarda tranquilamente o resultado de uma reunião que pode fragmentar, de vez, a terceira via e consolidar o nome de Simone Tebet na corrida ao Palácio do Planalto. Nesta terça-feira, a executiva do PSDB se reúne para discutir o teor de uma carta assinada por João Doria em que acusa o partido tucano de golpe, ao apoiar a realização de pesquisa qualitativa/quantitativa para definir o candidato da terceira via.

A carta caiu mal entre o tucanato que vê no gesto de Doria o reconhecimento da derrota no levantamento que deve ser apresentado na quarta-feira. Além disso, apesar de ser endereçada ao presidente do partido, Bruno Araújo, a avaliação é de que Doria atinge os 34 integrantes da executiva ao questionar a integridade da decisão e a real intenção dos dirigentes. Pesa ainda contra o ex-governador de São Paulo, o fato dele ter admitido abrir mão de sua candidatura e concordado em unir forças com outras legendas, como uma forma de furar a polarização. Mas diante da real possibilidade em deixar de ser cabeça de chapa, Doria mostra contrariedade após PSDB, MDB e Cidadania definirem como critério para essa escolha a realização de pesquisas quantitativa e qualitativa.

No PSDB, a percepção é que se o partido mantiver a posição de apoiar o resultado da pesquisa, estará dando aval para a candidatura de Simone Tebet e sepultando de vez as chances do ex-governador, nome que sempre dividiu opiniões dentro do partido. Integrantes da executiva consultados pela Arko Advice não acreditam que o PSDB irá recuar da decisão e esperam que, até quarta, Doria mude de ideia e tenha “alguma sensatez”. Já no MDB, a avaliação é de que Tebet não depende de Doria para se cacifar candidata e, independentemente do que os tucanos decidirem, o nome dela será mantido.

Recentes pesquisas cadastradas no TSE apontam João Doria a frente de Simone Tebet, mas com uma diferença pequena, dentro da margem de erro. Ponto positivo para Tebet é a rejeição menor que a de Doria. Pesquisa Quaest/Genial, divulgada na semana passada, aponta que 59% conhecem e não votariam em João Doria, enquanto Tebet, neste quesito, marca 16%. Em tese, a senadora tem mais condições de crescer numericamente já que também é menos conhecida pelo eleitorado. A mesma pesquisa aponta que 78% não a conhecem, enquanto somente 24% desconhecem Doria.

Em evento, nesta segunda, Tebet foi questionada sobre Doria. “A gente pode começar separado e lá na frente se encontrar. Ainda há uma avenida, no que se refere ao tempo. De hoje até as convenções nós temos dois meses”, declarou.