Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Uma das variáveis que podem ser decisivas para o desfecho da eleição presidencial deste ano é a atração dos eleitores hoje indecisos. Segundo pesquisa Ipespe divulgada na sexta-feira (06), na sondagem espontânea temos 24% do eleitorado no país localizado entre “brancos, nulos e indecisos”. Desse total, 17% são indecisos. Já na estimulada, o percentual de eleitores “sem candidato” (“brancos, nulos e indecisos”) atinge 10%.

A conquista desse contingente do eleitorado será fundamental para as pretensões eleitorais do ex- presidente Lula (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL), bem como dos candidatos da chamada “terceira via”.

Ao olharmos para a segmentação divulgada pelo Ipespe, é possível constatar o perfil desse eleitor “sem candidato”. Em sua maioria, trata-se de mulheres (12%) entre 16 e 34 anos (11%), com ensino superior completo (16%). Além disso, esses eleitores possuem renda mensal acima de cinco salários mínimos (12%), moram na Região Sudeste (11%) e são majoritariamente católicos (11%).

Interessante observar que, segundo dados divulgados na semana passada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres são maioria no eleitorado brasileiro, representando 53% do total, contra 47% dos homens. Ou seja, a atração dessas mulheres indecisas será importante no desfecho da eleição. Outro aspecto interessante é que existe um grande contingente de jovens entre o eleitorado indeciso. Muitos votarão pela primeira vez.

Vale observar ainda que a maioria do eleitorado mora no Sudeste, que deve ser decisivo na eleição. O Sudeste, a maior região do país, concentra 42% do eleitorado. Nessa região estão São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que são, respectivamente, os três maiores estados do país.

Em relação ao eleitor com renda acima de cinco salários, que também concentra um percentual razoável de indefinição, vale lembrar que esse segmento votou majoritariamente em Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018. Embora parte desses eleitores tenha retornado para Bolsonaro, principalmente após a saída do ex-ministro Sergio Moro (União Brasil) da disputa, ainda temos uma parcela desse grupo que está indecisa, pois rejeita, ao mesmo tempo, tanto Bolsonaro quanto Lula.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".