Os movimentos ocorridos na semana passada no campo da terceira via apontam que as divergências se acentuaram, fragmentando ainda mais o centro, o que beneficia a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Embora o anúncio do candidato da terceira via permaneça marcado para 18 de maio, não há acordo sobre o critério de escolha. No PSDB, as contestações à pré-candidatura do ex-governador de São Paulo João Doria seguem intensas.

Durante o encontro ocorrido entre Doria e a bancada federal tucana na quinta-feira (05), foi dado o prazo de 15 dias para que Doria melhore seu desempenho nas pesquisas. Mas isso parece improvável, mesmo que ele ainda conte com as inserções do partido no rádio e na TV para tentar reduzir sua rejeição e se mostrar competitivo.

Diante da divisão do PSDB e após o anúncio feito pelo presidente do União Brasil, deputado federal Luciano Bivar (PE), segundo o qual o União terá candidato próprio, o MDB reuniu sua executiva nacional e mostrou confiança no crescimento da senadora Simone Tebet (MDB-MS), a partir do resultado que a sigla recebeu de pesquisas qualitativas.

Apesar de a senadora também apresentar índices modestos nas pesquisas, sua candidatura é interessante para o MDB. Como o MDB do Norte e do Nordeste inclina-se a favor de Lula (PT), enquanto o MDB do Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste pende para Bolsonaro, a candidatura própria seria uma forma de evitar uma divisão ainda maior na legenda.

Outro movimento no campo da terceira via partiu do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Ao ser questionado pelo apresentador da TV Bandeirantes José Luiz Datena sobre um eventual apoio do PSD ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT), Kassab afirmou que essa hipótese é difícil, mas não impossível. Mais do que isso, Kassab declarou que Ciro é o único nome viável da terceira via.

Embora mudanças possam ocorrer até o próximo dia 18, neste momento a tendência é que a terceira via fique ainda mais dividida. Nesse cenário, a viabilidade eleitoral de um nome vindo desse campo, salvo a ocorrência de fato novo, é cada vez mais improvável.

Autor

  • Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".