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Os grupos Aegea e Iguá, vencedores dos dois leilões da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), realizados no ano passado, informam ter investido no estado perto de R$ 250 milhões, em especial na rede de distribuição de água.

Três blocos da Cedae foram leiloados em 30 de abril do ano passado. Na oportunidade, não houve interesse pelo quarto bloco e novo leilão foi feito em 29 de dezembro. A operação é registrada como maior certame já realizado no país seguindo as regras do marco legal do saneamento básico (Lei nº 14.026/20).

Os vencedores pagaram R$ 22,6 bilhões no primeiro leilão e R$ 2,2 bilhões no segundo. O secretário da Casa Civil do governo do Rio de Janeiro, Nicola Miccione, informou que 100 mil novas residências já tiveram ligações com a rede de abastecimento de água desde novembro.

Foram contratados mais de 7 mil funcionários e as empresas planejam construir tubulações separadoras, conectadas à casa dos usuários para a coleta de esgoto. Providências a serem adotadas em curto e médio prazos preveem a construção de coletores para desviar o esgoto para as estações de tratamento de forma a despoluir rios e lagoas.

A concessionária Águas do Rio (Aegea) vai recuperar 12 grandes estações de tratamento de esgoto inauguradas nos anos 1990 e hoje subutilizadas. “Há estações com capacidade para tratar 1,5 mil litros de esgoto por segundo processando abaixo de 300 litros.” O aumento do volume tratado reduzirá o lançamento de esgoto na baía de Guanabara, tida como “joia da concessão”, conforme declarou o presidente da concessionária, Alexandre Bianchini, ao jornal Valor.

Carlos Brandão, presidente da Iguá, disse haver 58 elevatórias de esgoto deterioradas, o que gera subutilização de estações. “Temos 50% das obras civis prontas e vamos começar a parte mecânica e elétrica”, disse. Os reparos devem consumir R$ 60 milhões e auxiliar na despoluição das lagoas existentes na região de Jacarepaguá.

Revisão em SP

Em São Paulo, a regionalização do saneamento, criada no ano passado, pode passar por remodelagem. Dos quatro blocos originais, três tiveram baixíssima adesão dos municípios, como previa o marco legal do setor (Lei 14.026/20). Segundo o jornal Estadão, apenas nove do total de 275 municípios aderiram.

Os motivos para a não adesão decorrem de diversos fatores, como: o desconhecimento de prefeituras sobre o novo marco legal; a resistência de municípios com universalização mais avançada a se juntar a outros mais atrasados; a formação de blocos com número muito grande de cidades; e a decisão de algumas administrações municipais de prestar os serviços diretamente para a população.