RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

O Ministério de Minas e Energia promove, na quarta-feira (11), o workshop Desafios e Oportunidades – Geração Offshore no Brasil, relativo ao Decreto nº 10.946/22, que regulamentou a geração de energia eólica no mar. O encontro será realizado às 14h no auditório do ministério, em Brasília.

O diálogo com os agentes do setor busca a criação de um ambiente de oportunidades com discussões envolvendo o desenvolvimento da geração de energia eólica offshore no país, conforme tratado no decreto do presidente da República de 25 de janeiro deste ano. Estão na pauta temas como licenciamento ambiental, gestão e cessão de área no mar, barreiras a serem superadas, impactos na cadeia de suprimentos, desafios regulatórios, oportunidades e sinergias.

O país conta com 7.367 quilômetros de costa e 3,5 milhões de quilômetros quadrados de espaço marítimo sob sua jurisdição, conforme convenção da Organização das Nações Unidas (ONU). A plataforma continental é extensa, com águas rasas ao longo do litoral. A esses fatores soma-se a incidência dos ventos alísios (deslocamentos de massas de ar quente e úmido em zonas equatoriais), presentes na Região Nordeste, com intensidade e direção constantes.

Levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do ministério, identificou que, em áreas em que o vento atinge velocidade acima de 7m/s e torres de 100 metros de altura, o potencial do país seria de 697 GW em locais com profundidade de até 50 metros – dos quais 276 GW para profundidades de até 20 metros e 421 GW para profundidades de 20 a 50 metros.

Participam da abertura do evento os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e de Meio Ambiente, Joaquim Lima Leite, além do presidente da EPE, Thiago Barral, do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, e da presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Elbia Gannoum.

Preço da água

A diretora-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Verônica Sánchez, que tomou posse na quarta-feira (04), defende gestão mais conservadora dos reservatórios das usinas e discussões com o setor elétrico para precificar melhor o uso da água na geração de energia.

Verônica Sánchez disse que o plano de contingência adotado de dezembro de 2021 a abril deste ano trouxe resultados positivos na recomposição dos reservatórios das hidrelétricas, já que o volume de água passou para 65% ou mais. O reservatório de Sobradinho, entre Pernambuco e Bahia, no rio São Francisco, atingiu capacidade máxima e começou a verter água. Furnas, no sul de Minas, chegou a 85%.

Para a diretora da ANA, o país tem o maior armazenamento dos últimos dez anos para o período de fim de abril. “Isso traz conforto para o período seco deste e dos próximos anos”, declarou ao jornal Valor. Afirmou ainda que pretende discutir esses pontos com o Ministério de Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Aneel.