Senadora Simone Tebet (MDB-MS). Foto: MDB-Nacional

Atualmente, o presidente do MDB, Baleia Rossi, defende com unhas e dentes a candidatura de Tebet até o fim de junho, quando entram as últimas inserções na propaganda partidária. A partir daí, Tebet precisa ter o nome confirmado em convenção do partido. E é ai onde mora o temor da cúpula do MDB. Sem Tebet no páreo, a previsão é de que a maioria do partido apoie o Presidente Jair Bolsonaro à reeleição. Mesmo que uma ala, especificamente do nordeste, seja pró Lula, há uma avaliação de que a maior parte dos diretórios estaduais, prefeitos e bancadas estaria ao lado do atual presidente. O mapeamento foi feito pelo partido que teme uma guinada na campanha eleitoral. No entanto, o tal levantamento é desconhecido por lideranças da legenda que não acreditam que a informação traduza a realidade.

“Isso é pouco provável de acontecer. Desconheço esse levantamento. Não chegou nada até a mim”, declarou à Arko o líder do partido na Câmara, Isnaldo Bulhões.

O MDB é uma das bancadas mais importantes do Congresso Nacional e passou a ser alvo de uma disputa interna sobre ter ou não candidato à presidência da República. Depois que o MDB lançou a senadora Simone Tebet para concorrer ao Palácio do Planalto, o partido protagonizou, nas últimas semanas, episódios que comprovam essa divisão. Em jantares, caciques do partido se reuniram com o ex-presidente Lula, postulante ao Planalto, numa demonstração de apoio à candidatura do petista. Além disso, passou a ventilar a possibilidade de rejeitar o nome da senadora na convenção nacional da legenda, em julho. O clima ficou tenso e o partido dividido sobre a corrida eleitoral.

Para o CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, a divisão posta está no DNA do partido. “Uns apoiarão Lula, outros podem apoiar Bolsonaro. Caso Simone decole, o apoio a ela poderá ser maior. Mas dificilmente será total. Está divisão está na gênese de um partido de caciques”, analisou.

Autor

  • Editora-chefe na Arko Advice, desde fevereiro de 2022. Antes, atuou como repórter de política na CNN Brasil. Foi correspondente internacional em Nova Iorque pela Record TV. Atua em redação há 18 anos.