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O estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o país necessita de R$ 593 bilhões para universalizar o sistema de saneamento básico (água potável e tratamento de esgoto doméstico e industrial) até 2033.

Um dos aspectos destacados pelo estudo está relacionado ao fato de que cada dez litros de água que chegam às residências, em média nacional quase 40% se perdem. Esse desperdício se dá, na maioria dos casos, em razão de problemas nas tubulações, como canos furados e também por roubo de água, prática popularmente conhecida como “gato”.

No quadro das perdas regionais, a Região Norte do país acumula uma média de 55,21% de desperdício na distribuição. A Região Nordeste vem em seguida, com 45,67%, também acima da média nacional. O Sudeste apresenta média de 36,06%, seguido pelo Sul, com 37,46%. O Centro-Oeste teve a menor taxa de desperdício, ainda assim, expressiva com 34,38%.

Para reduzir esses níveis de desperdício a uma taxa satisfatória, o país vai precisar investir R$ R$ 20 bilhões na rede do Sudeste; R$ 10,1 bilhões no Nordeste; R$ 6,7 bilhões para o Sul; R$ 3,5 bilhões para o Centro-Oeste; e R$ 2,2 bilhões para Norte.

Somados, esses investimentos chegam a R$ 42,7 milhões.
A universalização dos serviços até 2033 está prevista pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico, criado pela Lei 14.026 de julho de 2020, com a aprovação pelo Congresso do PL 4.162/19, de autoria do Executivo.

Pelos dados disponíveis, 93 milhões de pessoas no país ainda não têm acesso ao sistema de esgoto sanitário, quase metade população (45%). No caso do abastecimento de agua tratada esse número chega a 34 milhões (16,3% da população).

Na terça-feira (22), Dia Mundial da Água, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) aprovou o novo Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) para o período de 2022 a 2040. O documento busca promover formas de modernização do uso dos recursos hídricos, com sustentabilidade ambiental.

“Estamos trabalhando para garantir água em qualidade, quantidade e com regularidade para a sociedade. Esse é um plano democrático e seguro e, com ele, entregaremos o necessário para todos”, disse o secretário nacional de Segurança Hídrica e secretário-executivo do CNRH, Sérgio Costa, durante reunião do conselho.

Interesse privado

A introdução do novo Marco Regulatório do Saneamento caminha para completar dois anos, quando o setor vive momento agitado, com avanço do capital privado, concessões bilionárias licitadas. Observa-se a chegada de novos investidores, mas persiste a indefinição sobre o futuro das companhias estaduais que oferecem resistência à implantação do Marco Regulatorio.
Chama atenção a chegada de novos players de olho na demanda represada do setor. Essa demanda reprimida tem atraído investidores de peso para o setor, que vive abertura semelhante à que o setor elétrico vivenciou nos anos 1990.