Foto: Ministério da Agricultura

Mesmo com o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, na sexta-feira (11), o governo aguarda colher resultados somente no longo prazo. Hoje, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que usa nas plantações e possui um pequeno número de fornecedores, entre eles a Rússia e a Bielorrúsia, envolvidos na guerra na Ucrânia. Ainda que o conflito tenha acelerado o lançamento do plano, a previsão é que, até 2050, a dependência de insumos importados, que hoje é de 85%, passe para 50 a 55%.

O governo pretende finalizar obras em andamento e reativar projetos antigos. Assim, o objetivo é ter capacidade de produção de 1,6 milhão de toneladas de nitrogênio ao ano em 2025 e 2,8 milhões em 2050. Em termos de mineração, o governo quer aumentar 3% ao ano a exploração de rocha fosfática no Brasil até 2030 e 2% até 2050.

No total, o Plano Nacional de Fertilizantes traz 129 objetivos estratégicos, que se comunicam com os setores de mineração, gás natural, transporte, além de Ciência e tecnologia.

Diplomacia dos insumos

Enquanto são colocadas em prática as estratégias para ampliar a produção nacional de fertilizantes, o governo estuda como diversificar parceiros comerciais. O objetivo é não ficar “refém” de poucos exportadores, como aconteceu com a Rússia, a segunda maior produtora de potássio do mundo.

“Não estamos visando a autossuficiência. Entendemos que o mundo manterá seus fluxos comerciais e as commodities continuarão circulando no livre mercado. Entretanto, precisamos garantir suprimentos para a nossa mais importante atividade econômica”, declarou a ministra da Agricultura Tereza Cristina.

Neste sábado (12), a ministra da agricultura embarca para o Canadá onde cumpre agenda até o dia a terça-feira (15). Ela deve se reunir com empresários do setor. A ideia é discutir com a iniciativa privada formas de aumentar o volume de produtos e diminuir os gargalos no Brasil. A preocupação é de que os produtos cheguem a tempo da próxima safra.

A ministra da Agricultura também anunciou que discute com os países americanos levar para a Organização das Nações Unidas (ONU) a discussão sobre a inclusão de fertilizantes na lista de produtos importantes para a segurança alimentar. “Vamos ter uma reunião no dia 16, com o presidente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e com todos os países hemisféricos”, declarou.

Mudanças tributárias

De acordo com Guedes, o Plano Nacional de Fertilizantes, prevê diretrizes para que sejam eliminados impostos na cadeia de produção dos fertilizantes. Ele disse que o governo avalia zerar alíquotas de importação nessa área para enfrentar o aumento de preços. Guedes também afirmou que o aumento no preço dos fertilizantes deve gerar impacto sobre o preço dos alimentos a médio prazo.

“A curtíssimo prazo, não vejo razão para subir tão rápido [o preço dos alimentos]. A safra já foi plantada. A preocupação seria maior se o prolongamento da guerra [na Ucrânia] forçasse esforços fiscais adicionais e o dólar subisse. Assim poderia ter impacto direto. O impacto sobre os alimentos deve vir mais a frente”, declarou.

Medidas emergenciais

De forma emergencial, o governo colocou três ações previstas no plano em ação. A primeira estratégia é a busca por excedentes de produção com países produtores, como no caso das negociações com o Canadá. O governo também trabalha na gestão de demanda, com a Caravana FertBrasil, para difundir informações sobre o manejo correto de fertilizantes, para evitar desperdícios e combinar o uso dos insumos tradicionais com outros produtos e tecnologias. Outra linha é a facilitação da importação dos fertilizantes, com prioridade para o desembarque de navios que trazem esses produtos para o Brasil, de modo a diminuir os custos do transporte.

 

Colaborou com a matéria: Manuela Moura

Autor

  • Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB). Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. No site O Brasilianista cobre economia e política.