Plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A escolha dos líderes partidários na Câmara dos Deputados este ano tem um caráter estratégico, em função das eleições de outubro. No campo da esquerda, as indicações dos maiores partidos refletem seus projetos nacionais. O novo líder do PT, deputado Reginaldo Lopes (MG), por óbvio, é um defensor do ex-presidente Lula (PT). O PDT trouxe de volta André Figueiredo (CE) – fiel escudeiro do pré-candidato Ciro Gomes à Presidência e de Carlos Lupi – ao comando da bancada. No PSB, a assunção de Bira do Pindaré (MA) aponta a influência do governador maranhense Flávio Dino, que concorrerá ao Senado e que, entre os socialistas, é um forte aliado de Lula.

No grupo do Centrão, as movimentações refletem as conveniências regionais. O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, substituiu Wellington Roberto (PB) por Altineu Cortes (RJ). Como homem de confiança de Waldemar Costa Neto, Wellington Roberto poderia permanecer no posto, mas, na função de líder do partido, enfrentaria dificuldades eleitorais na Paraíba, onde Lula é forte. Altineu Cortes já não terá tal problema no Rio de Janeiro, estado do presidente. O mesmo vale para o Republicanos, que trocou o também paraibano Hugo Motta por Vinicius Carvalho (SP), ligado à Igreja Universal, um reduto bolsonarista.

No PP, que apoia Bolsonaro, a situação não é diferente. O antigo líder Cacá Leão (BA), cujo grupo possui aliança com o PT e dará palanque a Lula no estado, passou o bastão para André Fufuca (MA), pupilo do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do ministro Ciro Nogueira, mas que também é aliado estadual de Flávio Dino. A realidade na Bahia influenciou a manutenção de Antônio Brito como líder do PSD. Além de os pessedistas baianos marcharem com a turma de Lula, a opção ainda agrada a Gilberto Kassab.

As escolhas de MDB e PSDB não refletem alinhamento automático às pré-candidaturas das siglas. A recondução de Isnaldo Bulhões (AL), ligado ao lulista Renan Calheiros, indica que Simone Tebet não deverá ter suporte do líder do MDB na Câmara. Entre os tucanos, a escolha de Adolfo Viana (BA) representa a continuidade do grupo liderado por Aécio Neves (MG), arqui-inimigo de João Doria.

Já o União Brasil, fruto da fusão do DEM com o PSL, oficializou Elmar Nascimento (BA), defensor dos interesses do demista ACM Neto.