Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

Cinco fatores, pelo menos, definem o sucesso — ou não — de uma campanha eleitoral. Eles têm importância variada, já que, em alguns momentos, um fator pode ter mais peso que outro. O primeiro refere-se ao perfil do candidato. Tem a ver com seu histórico, sua experiência política. É muito comum, no início das campanhas, os candidatos apresentarem suas credenciais, detalhando para o eleitor a sua trajetória acadêmica, profissional e política. O segundo fator reside na estrutura de campanha, que engloba: as alianças partidárias; o tempo de propaganda de rádio e TV; os recursos financeiros. Candidatos que disputam a reeleição ou com apoio de quem está no poder têm, nesse aspecto, um diferencial positivo em relação aos adversários.

Outro fator diz respeito às propostas e narrativas do candidato. Estar alinhado com as principais demandas e preocupações do eleitor é essencial. Neste ano, a inflação e o emprego terão forte apelo. Em 2018, prevaleceu o discurso contra a corrupção e a favor da renovação política. Também é importante saber identificar os discursos que podem fragilizar e até mesmo desconstruir os oponentes. Por exemplo, nas eleições presidenciais de 2014, o PT usou o tema da autonomia do Banco Central para atacar a campanha da candidata Marina Silva, que concorria pelo PSB. A conjuntura também pode ser determinante. A Lava-Jato, por exemplo, causou um tsunami no mundo político e foi fundamental na eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Em 1998, diante de uma forte turbulência internacional, o eleitor optou por reeleger Fernando Henrique Cardoso que ganhara credibilidade com o Plano Real. O eleitorado apostou que o presidente saberia enfrentar o momento de incerteza.

Candidatos que disputam a reeleição com apoio de quem está no poder têm, nesse aspecto, um diferencial positivo em relação aos adversários

Em 2002, o tucano José Serra, mesmo contando com ampla estrutura de campanha, perdeu por conta da conjuntura. Naquele ano, o “apagão” de energia elétrica no País, o cansaço com a administração do PSDB e o desejo de mudança pesaram a favor de Lula (PT). Da mesma forma, foi relevante a narrativa tecida por Lula ao lançar a “Carta ao Povo Brasileiro”. Por fim, vale citar a influência do acaso, ou seja, os eventos extraordinários que acontecem em toda eleição e que podem afetar profundamente o ambiente. Para citar a mais recente, a facada dada em Jair Bolsonaro, a um mês do pleito, em pleno ato de campanha do candidato pelo PSL. Toda campanha começa com a tentativa de negociar apoios e de testar a eficácia das narrativas. É neste momento do processo sucessório à Presidência da República que estamos hoje.

Autor

  • Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.