Ex-ministro da Justiça, Sergio Moro (Podemos). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Estamos no fim de janeiro e ainda existem indefinições no quadro pré-­eleitoral a serem consideradas. Vamos a elas. No campo da esquerda, Ciro Gomes (PDT) se lançou candidato à Presidência sem certeza do apoio que poderá angariar tanto à esquerda quanto à direita. O seu partido é uma força média, mas Ciro depende de fatos novos para alavancar sua candidatura. Seu desafio maior é romper o isolamento, já que, à esquerda, PT, PSB, PCdoB e PV negociam a construção de uma federação partidária que deverá dar suporte à candidatura do ex-presidente Lula (PT).

Há outras indefinições importantes na esquerda, como a viabilidade, ou não, da aliança entre Lula e Geraldo Alckmin, que visa posicionar o petista mais ao centro. Por enquanto, apesar dos sinais emitidos por Alckmin de que deseja a vaga de vice, nem o seu partido está definido. Tanto no PT quanto entre aliados do ex-governador há resistências ao projeto.

Sergio Moro ainda decide se fica no Podemos. Caso não migre para o União Brasil — cobiçado sobretudo pelos bilionários recursos que receberá dos fundos partidário e eleitoral —, fica a incógnita sobre com quem formará sua chapa.

No PSDB, João Doria prossegue buscando consolidar uma candidatura até agora fraca nas pesquisas. Ele também não definiu o perfil do seu vice. Embora remota neste momento, uma eventual união entre Moro e Doria não deve ser totalmente descartada, sobretudo se as pesquisas apontarem ser competitiva uma composição entre os dois principais nomes da centro-direita liberal.

“Lula está com um pé no segundo turno, e Bolsonaro pode acompanhá-lo, mas o cenário permanece em aberto”

Outros pré-candidatos são o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), os senadores Alessandro Vieira (Cidadania) e Simone Tebet (MDB), e o cientista político Luiz Felipe d’Avila (Novo). Com cerca de 1% das intenções de voto, podem acabar desistindo.

Em termos de estrutura partidária, além do União Brasil, o PSD é o partido mais cobiçado: por ser uma legenda centrista, pode compor com Bolsonaro, Lula, Doria ou Moro. O Cidadania e o MDB são alvos de Doria. O Cidadania também é procurado por Moro, assim como o Novo. Na direita, o presidente Jair Bolsonaro coleciona desafios. A sua entrada no PL está sendo digerida, ele não definiu o perfil de seu vice e,ainda por cima, tem de administrar conflitos entre os aliados. Bolsonaro depende também da melhora da economia e da eficiência do governo. Mesmo com esses desafios, ele deve ter uma estrutura de campanha forte, já que, além do PL, também o PP, o Republicanos e o PTB devem apoiar a sua briga pela reeleição.

As pesquisas mostram estabilidade desde outubro: Lula lidera com folga, com 44%; Bolsonaro se mantém em torno de 24%; Moro está estabilizado no patamar de 8%. Em janeiro de 2018 Lula tinha 37% e Bolsonaro pode acompanhá-lo. Em todas as eleições desde a redemocratização, a esquerda sempre emplacou um candidato no segundo turno, exceto em 1994 e 1998, quando FHC venceu no primeiro. Mesmo nesses dois anos, o segundo colocado era da esquerda: Lula. As indefinições mencionadas, porém, ainda podem alterar o jogo. Enquanto não forem desvendadas, a cena eleitoral de outubro permanecerá em aberto.

 


Autor

  • Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.