ONU Meio Ambiente/Shawn Heinrichs

A geração de energia tendo o lixo como matéria-prima vai receber R$ 600 milhões este ano, com o início das obras da Usina de Recuperação Energética (URE) em Barueri (SP), que terá potência instalada de 20 MW. O contrato do projeto, que venceu o Leilão A-5 em setembro de 2021, prevê que a geração comece em cinco anos. A execução do projeto é da Orizon Valorização de Resíduos.

Segundo a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), o setor tem expectativa de mais R$ 4 bilhões em investimentos em mais três UREs: Mauá (80 MW) – Sertãozinho/SP; Caju (31 MW) – Zona Portuária/Rio); e Cosimares (20 MW) – consórcio de municípios na região de Campinas/SP .

Tais empreendimentos atuariam na recuperação energética a partir de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) devem participar dos próximos leilões A-5 ou A-6, a serem conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Se os investimentos se concretizarem e essas usinas entrarem em operação entre 2027 e 2028, as plantas terão capacidade de tratamento de mais de 5 mil toneladas por dia de lixo urbano. Hoje não existe projeto de lixo para energia (waste-to-energy) operando no Brasil. Para a Abren, o país tem potencial de construir 120 usinas, o que poderia suprir 3% da demanda nacional de eletricidade.

A estratégia da empresa que venceu o leilão da Aneel em setembro do ano passado é tirar proveito de milhões de toneladas de lixo que chegam a seus “ecoparques”, transformando o resíduo urbano em biogás a fim de gerar energia a partir dele.

waste-to-energy é uma alternativa de tratamento de resíduos em centros urbanos em que já não existem áreas disponíveis para a instalação de aterros sanitários. É uma forma de geração de eletricidade ou calor diretamente através do processo de combustão, que reduz o volume do lixo original em 95% ou 96% e produz combustível como metano, metanol e combustíveis sintéticos.