Presidente da República Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

A pesquisa do instituto Ipec – antigo Ibope – divulgada hoje (14) aponta que a avaliação negativa (ruim/péssimo) do governo Jair Bolsonaro atingiu 55%. O índice é dois pontos percentuais acima do verificado pelo instituto em setembro deste ano. A oscilação negativa está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A avaliação positiva (ótimo/bom) caiu três pontos e soma 19%. E a avaliação regular oscilou positivamente dois pontos, atingindo 25%.

O resultado ruim para o governo na pesquisa está relacionado com o cenário econômico, que combina elevada inflação e alto desemprego.

No entanto, vale ressaltar que Bolsonaro ainda mantém um núcleo de apoio de 19%. Embora esse contingente esteja em queda, trata-se de um setor da sociedade que ainda é bastante fiel ao presidente.

Outro aspecto importante é que, a partir do pagamento do Auxílio Brasil no valor de R$ 400,00 existe a expectativa que a avaliação do governo melhore. Resta saber qual será a intensidade dessa melhora, pois variáveis como inflação e desemprego ainda pesarão na avaliação da opinião pública.

Lula lidera sucessão polarizada

A pesquisa do instituto Ipec também divulgou dois cenários sobre sucessão de 2022. Nas duas simulações, o ex-presidente Lula (PT) lidera. Hoje, Lula teria números para vencer em primeiro turno. Porém, ainda é precipitado considerar essa possibilidade, pois há muitas variáveis em aberto que podem alterar o quadro – situação da economia e o real potencial da terceira via.

Na primeira simulação, Lula lidera com 48%. O presidente Jair Bolsonaro (PL) está em segundo lugar, com 21%. Na terceira posição, os ex-ministros Sergio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT) aparecem tecnicamente empatados. Moro tem 6% e Ciro aparece com 5%.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), soma 2%, mesmo percentual do deputado federal André Janones (Avante). A senadora Simone Tebet (MDB) e Cabo Daciolo (Brasil 35) registraram 1% cada. Os senadores Rodrigo Pacheco (PSD) e Alessandro Vieira (Cidadania), e o cientista político Luiz Felipe D’Ávila (Novo) não pontuaram.

Brancos, nulos e indecisos somam 14%. Neste cenário, a soma das intenções de voto de todos os candidatos atinge 38%, dez pontos percentuais a menos que o registrado por Lula.

Na segunda simulação, tendo apenas cinco candidatos, Lula lidera com 49%. Bolsonaro aparece com 22%. Em seguida aparecem Moro (8%), Ciro (5%) e Doria (3%). Brancos, nulos e indecisos somam 11%. Neste cenário, a soma dos demais candidatos também atinge 38%, dez pontos a menos que a intenção de voto em Lula.

Conforme podemos observar, mesmo com a exposição que as prévias do PSDB tiveram na mídia e o protagonismo que Sergio Moro tem tido na cobertura da imprensa, por ora, a polarização Lula x Bolsonaro ainda não é ameaçada. Nota-se que as intenções de voto em Lula e Bolsonaro somam 69% na primeira simulação e 71% no segundo cenário testado pelo Ipec.

Sobre os percentuais de intenção de voto de Bolsonaro – 21% (primeiro cenário) e 22% (segundo cenário) – nota-se que o percentual é similar a avaliação positiva do governo (19%). Porém, como o governo é desaprovado por 55%, Bolsonaro tende a ter dificuldades no segundo turno caso não reverta os atuais números.

A desaprovação do governo coloca hoje Lula em vantagem na sucessão. E entre os nomes da terceira via, Moro é quem possui maior potencial de crescimento.


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