Presidente da República Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro se filiou ao Partido Liberal (PL) na manhã desta terça-feira (30/11). O evento na sede do partido em Brasília contou com a presença de políticos, autoridades e apoiadores. Durante a cerimônia, o discurso do presidente foi marcado por acenos ao Congresso e clima de pré-campanha. “Uma filiação é como um casamento. Não seremos como marido e mulher, mas seremos como uma família”, disse o presidente em discurso.

Além de Bolsonaro, também se filiaram o senador Flávio Bolsonaro e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. O novo partido do presidente é comandado pelo ex-deputado Valdemar da Costa Neto. Desde a década de 1990, a sigla é alinhada com posicionamentos mais ao centro da esfera política e já compôs o governo Lula (PT), entre 2003 a 2010, com José de Alencar como vice.

No início de novembro, Bolsonaro havia suspendido sua filiação ao partido por causa dos acenos que a sigla fazia à esquerda e ao partido de outro pré-candidato, João Dória (PSDB – SP). Passada a crise, o presidente começou seu discurso dizendo que estava se sentindo em casa e que espera fazer o melhor para o Brasil. “Eu e o Valdemar não somos pessoas que vamos definir as coisas sozinhos. Em grande parte, a nossa visão vai passar por vocês (congressistas). Nós queremos compor e, com essa composição, fazer o melhor para o Brasil”, disse.

Fazendo um breve balanço do governo, o presidente avaliou que as pautas aprovadas pelo Congresso Nacional estão de acordo com o Executivo. “Em grande parte, o parlamento tem jogado junto com o Executivo. Isso é muito bom. Quando se fala em Judiciário tem a ver conosco também, sim”, afirmou.

Ele também comentou sobre a sabatina que vai decidir se o ex-ministro da Justiça, André Mendonça, indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), tomará posse do cargo. Bolsonaro disse que está tranquilo com a sabatina marcada para quarta-feira (1/12). “Espero que seja aprovado o nome dele”, disse. Segundo ele, Mendonça vem conversando com senadores e expondo suas ideias para o cargo.

Sem partido desde 2019, quando deixou o PSL, pelo qual foi eleito, Bolsonaro já passou por oito partidos desde que iniciou sua vida política, em 1989. Ele deixou o PSL em meio a uma série de brigas internas e tentou fundar uma legenda própria, o Aliança Brasil. Mas fracassou, sem conseguir nem um terço das assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para sair do papel.

Oposição em 2022

Em clima de campanha, Bolsonaro falou contra a oposição. “O futuro do Brasil está em nossas mãos. Nós tiramos o Brasil da esquerda. Olha para onde estávamos indo, olha para onde foi certos países, como a Venezuela. Nós não queremos isso”, disse. “Nós todos conseguimos fazer brotar, no coração do brasileiro, o sentimento de patriotismo, de amor à pátria, de falar em Deus, pátria e família, a termos nossos próprios lemas”.

As falas duras contra a oposição foram reforçadas pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro, que também se filiou ao partido. “Obrigado por não terem traído o presidente Bolsonaro. Tem um ditado na política que fala o seguinte: a política pode até perdoar traição, mas não perdoa o traidor”, disse. “E traidor é aquele que humilha uma mulher, que expõe publicamente uma pessoa pensando no poder porque convidou para ser seu padrinho de casamento . E aí a decepção vem na proporção inversa da admiração que as pessoas possuíam por ele”, disse em referência ao ex-juiz Sérgio Moro ter sido padrinho de casamento da deputada Carla Zambelli.

Quando saiu do governo, em maio de 2020, Moro revelou uma mensagem de celular trocada com a parlamentar, onde Zambelli tentava convencer o ainda ministro da Justiça a aceitar a troca de comando na Polícia Federal e, mais tarde, ir para o Supremo Tribunal Federal (STF). Moro então respondeu a ela que não estava à venda.

O senador também alfinetou o ex-presidente Lula e criticou as pesquisas eleitorais que apontam o petista à frente de Bolsonaro. “A pessoa que venceu o PT após 4 derrotas consecutivas do PSDB em eleições presidenciais. É a pessoa que, segundo institutos de pesquisa, perdia para todos no segundo turno, mas vendeu no PSL com 7 segundos de televisão, sem dinheiro e ajudou a fazer uma bancada de 52 deputados federais e 4 senadores”, defendeu. “E ainda querem nos fazer crer que um ex-presidiário preso por roubar o povo brasileiro está na frente de Bolsonaro nas pesquisas, mesmo com o excepcional trabalho que o governo vem fazendo nesses três primeiros anos. Tem um ditado que fala: A farsa está aí, cai quem quer”, concluiu.

Reforço no partido

Com a filiação do presidente, o PL acredita que vai atrair mais figuras para a sigla. Segundo apurou o UOL, estima-se que, somente do PSL, ex-partido de Bolsonaro, ocorrerá uma migração de 20 a 30 nomes. O deputado federal Eduardo Bolsonaro deve ser um deles. Para a imprensa, ele afirmou que estava feliz com a recepção do pai na legenda e que acha que deve se filiar à sigla também. “Primeiro é o presidente, depois o resto”, disse.

“As negociações em cada Estado vão evoluir agora a partir dessa decisão do presidente e da filiação das pessoas próximas, que escolherão entre o PL, PP e Republicanos. Teremos ministros se filiando para mostrar a força dessa aliança de três partidos e outros que virão para a reeleição do presidente”, declarou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, à imprensa.

Uma das condições impostas por Bolsonaro para aderir ao PL foi a indicação de nomes para disputas de governos estaduais, entre os quais São Paulo, Rio de Janeiro e Estados do Nordeste. Em São Paulo, o presidente tenta convencer o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, a se candidatar para o governo.

Os ministros Onyx Lorenzoni (Trabalho) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) também devem se somar ao time, mas não hoje. Esperarão a janela partidária, em abril. O PL tem uma bancada de 43 deputados federais e 4 senadores. A chegada de Bolsonaro deve trazer pelo menos 15 novas filiações com a vinda de seus aliados do PSL e de outras legendas.


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