ACM Neto, presidente do Democratas, e Luciano Bivar, presidente do PSL

A fusão entre PSL e DEM não deve, necessariamente, gerar uma migração bolsonarista para o partido que for escolhido por Jair Bolsonaro. Essa é a visão de deputados apoiadores do presidente que hoje integram as fileiras do PSL. Segundo os parlamentares ouvidos pela Arko, o cenário é incerto e ainda existem muitos elementos a serem avaliados.

O primeiro é como o partido deve se portar em 2022. Desde quando a ideia de uma união passou a ser tratada seriamente nos partidos, tanto PSL como DEM têm adotado uma postura de cautela, tentando não dar uma palavra final sobre como a nova sigla se posicionará no cenário nacional.

Segundo fontes ouvidas pela Arko, na reunião de ontem (21), quando a Executiva Nacional do Democratas decidiu, por unanimidade, dar prosseguimento ao processo de fusão, o presidente do partido, ACM Neto, se negou a discutir quem será o candidato do novo partido à presidência da República.

Hoje, o DEM tem como pré-candidato o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e o PSL tem o apresentador, José Luiz Datena. Perguntado sobre isso, ACM Neto disse que o tema fugia da motivação central da reunião e seguiu adiante. Recentemente, o cacique deu uma entrevista à Globo em que admitiu que apoiar Bolsonaro ainda é uma opção.

É bom destacar que as duas candidaturas estão sendo colocadas em dúvida. Datena avalia ir para o PDT se não for o cabeça de chapa do novo partido, e Mandetta está incomodado com a possibilidade da legenda apoiar Jair Bolsonaro — falou até em mudar de partido.

Deputados bolsonaristas do PSL se mostram confiantes de que a união pode acabar não tendo um candidato que faça oposição ao atual presidente.

Outro fator analisado é como vai se portar o partido após as eleições em caso de vitória de Bolsonaro. Os deputados dizem que devem sair da sigla se houver sinal de que o partido possa se tornar oposição ao presidente.

“Esses dois principais fatores devem fazer a diferença na decisão de muitos deputados, se ficam, se saem ou se vão para o partido do presidente”, declarou à Arko Advice o deputado Marcelo Álvaro Antônio, ex-ministro do Turismo de Bolsonaro.

Outro fator comentado nos corredores do Congresso é que, apesar de todos esses elementos, pensando friamente, há muito mais benefício em ficar no partido do que em sair dele. O tamanho da sigla, que pode chegar a 80 parlamentares, deve gerar um grande crescimento no acesso ao fundo partidário e tempo de televisão.

Os deputados têm até março para decidir. É o período quando se abre a chamada “janela partidária”, em que a troca de partido é autorizada sem que o parlamentar perca o mandato.

O PSL se reúne hoje às 19h para analisar se dá prosseguimento ao processo de fusão.


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